“Os livros mostram que as Freiras Clarissas comiam muita carne de caça e faziam muitos doces conventuais”, explicou hoje à agência Lusa o vereador do município e arqueólogo João Carlos Faria. Nos documentos, que se encontram expostos no Arquivo Municipal de Alcácer do Sal, estão firmados, segundo o especialista, “todos os gastos, aquisições e proveitos das religiosas”. “Muito bem feitos”, segundo João Carlos Faria, com “iluminuras de pássaros e flores coloridas e engraçadas e capa muito rija de pele e fechos em bronze”, os 16 volumes escaparam às chamas que atingiram o arquivo histórico de Alcácer do Sal em 1965. O convento de Nossa Senhora de Aracoelli, onde foram realizadas escavações arqueológicas, funcionou no local onde hoje está instalada a Pousada D.Afonso II, no Castelo de Alcácer do Sal. “As escavações duraram seis anos e permitiram encontrar achados importantes e únicos no país”, disse João Carlos Faria, que participou nos trabalhos arqueológicos. As escavações começaram antes das obras de recuperação do imóvel e construção da pousada D.Afonso II e terminaram já depois da conclusão do edifício. Por baixo da unidade hoteleira, contou João Carlos Faria, existe uma cave com 700 metros quadrados de ruínas, entre as quais um santuário romano, onde vai nascer um museu arqueológico até ao final deste ano. Além de objectos romanos, únicos no país, faz parte do espólio arqueológico, segundo o especialista, o fundo de uma faiança, mostrando que as Freiras Clarissas, na altura com dinheiro, mandavam fazer loiça com a inscrição “Aracoelli”, na fábrica do Rato. As obras de adaptação do Convento de Nossa Senhora de Aracoelli, situado dentro do recinto amuralhado, para pousada obrigaram ao início de escavações arqueológicas de emergência em 1994. Os trabalhos, realizados sob a direcção científica dos arqueólogos António Cavaleiro Paixão e João Carlos Faria, permitiram obter uma maior informação arqueológica da área do castelo correspondente à antiga Alcáçova Muçulmana.Lusa





