O Presidente da República, Cavaco Silva, apelou ontem, em Beja, ao diálogo entre o ministério da Agricultura e os agricultores, frisando que as dificuldades e os desafios no sector só podem ser ganhos mediante o “entendimento”.
“Sou um defensor do diálogo e espero que esse diálogo acabe por dar frutos. Por isso, a minha palavra, hoje, aqui, só pode ser no sentido de apelar ao entendimento e ao diálogo entre as duas partes”, frisou Cavaco Silva.
O Presidente da República efectuou hoje a sua primeira visita ao Alentejo, desde que tomou posse, visitando o certame agro-pecuário da Ovibeja, no Parque de Feiras e Exposições de Beja, que arrancou hoje e prolonga-se até ao dia 07 de Maio.
Cavaco Silva disse acreditar “até à última hora” que é possível os agricultores e o ministério da tutela encetarem esse diálogo.
“Um Presidente da República não pode pensar que o diálogo não é possível. Tem que acreditar até à última hora”, acrescentou, acompanhado do secretário de Estado Adjunto, da Agricultura e das Pescas, Luís Vieira, já que o ministro d a Agricultura, Jaime Silva, esteve hoje em Bragança, Trás-os- Montes, com o primeiro-ministro.
Em Vila Flor, o ministro da Agricultura foi confrontado com duas manifestações de agricultores, uma favorável à política do Governo e outra contra.
Jaime Silva desvalorizou os protestos que se têm registado no sector nas últimas semanas e atribuiu-os a um “lobby de mil agricultores habituado a receber ajudas financeiras sem produzir”.
Em causa está a decisão do Governo em não efectuar os pagamentos aos agricultores das candidaturas às medidas agro- ambientais (apoios a práticas agrícolas amigas do ambiente).
Na visita de ontem à Ovibeja, o Presidente da República (PR) recusou pronunciar-se sobre “pontos específicos” da “divisão” entre o ministério da Agricultura e os agricultores, mas sublinhou que a sua deslocação ao certame também foi marcada pela “solidariedade”.
“Há também uma questão de solidariedade que me traz aqui. O ano passado foi um ano de seca, muito difícil para os agricultores, e que atingiu, de forma muito forte, a região do Alentejo”, disse.
Por isso, Cavaco Silva considerou que os “homens da terra” merecem um “certo carinho e atenção especial”, pois, apesar das dificuldades e de, às vezes não possuírem “meios para as enfrentar”, não têm “fugido à luta”.
Sempre acompanhado de muitos responsáveis regionais e de inúmeros jornalistas, o PR voltou a manifestar o seu “apreço” pelos agricultores e a apelar à “serenidade e tranquilidade” para que, num mundo cada vez mais competitivo, a “agricultura portuguesa possa vencer os desafios”.
“A agricultura portuguesa não tem nada a ganhar com diferendos acentuados entre os agricultores e os que têm a competência de regular e apoiar sector (ministério). Nunca fujo a dar o meu contributo e, ao apelar ao diálogo, estou a fazer aquilo que, como Presidente da República, devo fazer”, argumentou.
Questionado pelos jornalistas sobre as declarações do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, ontem na Ovibeja, de que a sua visita a Beja é um “sinal claro” de apoio aos “homens da terra”, Cavaco Silva negou estar ao lado de uma das partes.
“O PR está ao lado de todos os portugueses. Não está ao lado de uma parte contra outra. Não devemos esquecer que o ano passado foi muito difícil e isso requer um esforço de todas as partes para que o sector ganhe confiança”, argumentou.
Durante o périplo pelo recinto da feira, o PR foi cumprimentado por inúmeros visitantes e, em alguns dos muitos stands em que parou, recebeu várias prendas, de entre as quais uns sapatos em pele e garrafas de vinho da Vidigueira.Agência Lusa





