Os municípios de Sines e Santiago do Cacém estão “preocupados” com o “atraso” do concurso para o tratamento das lamas oleosas depositadas no aterro da região, cujos resultados, garantem, deviam ter sido divulgados em Março.
Em declarações à Agência Lusa, Manuel Coelho, presidente da Câmara Municipal de Sines salientou que “existe um atraso considerável no concurso público para o tratamento destas lamas, uma vez que os resultados da proposta seleccionada deviam ter sido conhecidos em Março e ainda não o são, três meses depois”.
Já esta semana os autarcas de Santiago do cacén e Sines pediram explicações à empresa Águas de Santo André (AdSA) e ao grupo Águas de Portugal (AdP). Recorde-se que o município de Santiago do Cacém alberga o aterro de resíduos industriais, na Maria da Moita, e Sines o complexo industrial.
“Estamos preocupados com o encontro de uma solução rápida e boa para este problema. Queremos que haja transparência na análise das propostas a concurso e vamos estar atentos à forma como o processo vai decorrer”, frisou Manuel Coelho à agência noticiosa.
Para os dois municípios, a solução ideal passaria pela escolha de uma proposta que contemplasse “o tratamento das 160 mil toneladas actualmente existentes, bem como das lamas que se venham a produzir no futuro”.
“Sabemos que há propostas boas para o tratamento físico-químico destas lamas, no local, evitando o seu transporte e os riscos a ele associados”, disse o autarca, acrescentando que “a opção por uma solução dessas constituiria uma mais-valia para a região e um factor de competitividade para o complexo industrial de Sines”.
Manuel Coelho vincou ainda que a posição destas autarquias é desfavorável à co-incineração, apontando antes para “uma solução mais respeitadora do ambiente e com custos suportáveis”.
Foram apresentadas quatro propostas no concurso público, com diferentes soluções e custos implicados: a co-incineração em Portugal (por 117 euros de tonelada de resíduos tratados), a co-incineração em Espanha (69 euros), o tratamento físico-químico no local (65 euros) e o tratamento térmico no local ou pirólise (40 euros).
Estes valores “não são contudo comparáveis por si só”, explicou à Lusa Rui Berkemeier, do Centro de Informação de Resíduos (CIR) da Quercus, que reserva para mais tarde uma avaliação das opções mais correctas.
“Ainda vamos analisar o concurso, proposta a proposta, e só depois daremos conta da nossa opinião”, afirmou.
Quanto ao alegado atraso do concurso, invocado pelos municípios de Sines e Santiago do Cacém, Rui Berkemeier esclareceu que “as propostas foram apresentadas em Janeiro. Não sei se o concurso está formalmente atrasado, mas demorado está, seguramente”.
Rui Berkemeier sublinha para já que a Quercus “não aceita que o concurso seja anulado” e já contactou o Ministério do Ambiente no sentido de obter essa garantia.
“Asseguraram-nos que não há fundamento para esse receio, apesar deste ‘diz que disse’, e ficámos assim mais descansados”, referiu.
Entre as empresas que apresentaram as quatro propostas a concurso estão o consórcio que inclui as cimenteiras Secil e Cimpor (co-incineração), a Indaver Portugal (tratamento físico-químico) e o grupo Mesquita, em conjunto com o seu parceiro tecnológico Tech Trade (pirólise).
O concurso público internacional foi lançado em Outubro do ano passado.
O vencedor do concurso terá de assegurar o tratamento das cerca de 160 mil toneladas de lamas oleosas depositadas durante os últimos 15 anos no aterro da Maria da Moita.
A Lusa tentou contactar, sem sucesso, a Águas de Santo André, para obter mais esclarecimentos acerca deste assunto.
Fonte: Agência Lusa





