Mais de duas mil pessoas de Mora cortaram hoje, durante cerca de dez minutos, a Estrada Nacional 2 (EN-2) à entrada da vila, em protesto contra a integração do Concelho na unidade territorial do Alto Alentejo (Portalegre).
O corte da via ocorreu, sensivelmente, entre as 20:00 e as 20:10, na sequência de uma proposta apresentada durante a concentração da população no Jardim de São Pedro, depois de um desfile de protesto pelas ruas da povoação.
Apesar da presença no local de vários elementos da GNR, o corte de estrada processou-se sem quaisquer incidentes e sem intervenção policial.
Durante a concentração, o presidente do Município, José Manuel Sinogas, considerou a continuação da integração de Mora na Nomenclatura de Unidade Territorial III (NUT III) do Alto Alentejo como “o maior ataque que o Concelho sofreu desde o 25 de Abril de 1974″.
“É um acto fascista o que estão a fazer ao Concelho de Mora”, afirmou o autarca comunista, responsabilizando o Governo e presidentes de câmara do PS no Distrito de Évora pela situação.
Apelando à união dos habitantes em torno do objectivo comum, José Sinogas prometeu que os habitantes vão “ganhar a luta” porque têm “razão”.
Na manifestação, em que a população mostrou a sua revolta, porque pretende ver o Concelho integrado na NUT III do Alentejo Central (Évora), esteve também presente o deputado do PCP eleito por Évora, João Oliveira.
Pouco depois do corte da EN-2 e de terem aprovado uma moção de protesto, os milhares de populares que aderiram à manifestação, iniciada cerca de uma hora antes e na qual empunharam cartazes e gritaram palavras de ordem, começaram a desmobilizar.
Na base deste protesto está a possibilidade do Concelho não integrar a NUT III do Alentejo Central (Évora fica a cerca de meia centena de quilómetros) e continuar integrada, como acontece há alguns anos, na do Alto Alentejo (o dobro da distância para Portalegre), conforme o actual modelo publicado este mês em Diário da República.
O autarca José Sinogas, que já reuniu para abordar este assunto com o secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, Eduardo Cabrita, tem sublinhando que o Concelho de Mora, desde a sua criação no século XIX, sempre esteve integrado no Distrito de Évora.
“Meteram-nos lá [no Alto Alentejo] por engano e agora há sete presidentes de câmara do PS que, por motivos políticos, não nos querem na NUT do Alentejo Central”, disse, em declarações à Lusa.
Os subscritores da moção hoje aprovada apelam à intervenção do Presidente da República, do primeiro-ministro, do presidente e dos grupos parlamentares da Assembleia da República e da Associação Nacional de Municípios Portugueses para que a sua reivindicação seja atendida.
“Porque sabemos hoje exactamente como este processo foi conduzido, podemos afirmar claramente que se trata de uma cabala política orquestrada por alguns representantes institucionais do PS no Alentejo”, refere o documento.
A moção, entre outros pontos, exige do Governo a rápida alteração do decreto-lei de 14 de Abril, que vincula Mora ao Alto Alentejo, reivindicando a integração na NUT III do Alentejo Central.
Os seis mil habitantes do Município, pode ler-se no documento, “não podem ser penalizados por decisões arbitrárias, erradas e profundamente injustas, tomadas de forma impensada por quem no conhece a realidade do Concelho ou apenas decide em função dos seus interesses partidários”.
A moção reclama para Mora “tratamento igual” da parte do Governo ao que foi dado aos “nove concelhos do Norte do País cuja NUT foi alterada sem que, para isso, tivessem que ser consultados os restantes concelhos que integram as respectivas NUT’s”.
Os populares recusam a integração do Concelho em “qualquer serviço dependente do Distrito de Portalegre”, com o qual dizem não ter, nem nunca ter tido, “qualquer afinidade social”.
A população manifesta ainda o “mais firme propósito” de continuar a lutar até alcançar os seus objectivos e responsabiliza o Governo e “os presidentes das Câmaras Municipais ligados a esta cabala” pelas consequências dessa mesma luta.
MLM/RRL.
Lusa





