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A Opressão da Liberdade

Pubicado em 27 June 2008

A Opressão da Liberdade

O teatro foi desde sempre espaço onde se pensa e discute a sociedade, seja através de um teatro “abstracto” ou “real”. Nestes, todas as questões da fragilidade e do poder da Humanidade são actuadas.
Recentemente li um livro que abordava o tema dos fantasmas da ditadura (de Ponichet) quando o Chile tinha acabado de entrar na democracia, mas o que é a Democracia quando só o que se conhece é o medo opressivo? Talvez não deixe de ser medo…do incerto.
A peça que li e que gostava de partilhar, foi a magnifica “Death and the Maiden” (A morte e a dama) do activista e novelista Ariel Dorfman. O génio desta peça não reside só na sua frontalidade, em como os temas são debatidos, tais como a relação entre o homem e a mulher, a confrontação do passado com o presente, a procura de Paulina de uma justiça, Justa.
Logo na primeira página chamou-me à atenção o facto desta peça ser dedicada a Horald Pinter, quem è Horald Pinter? È um autor de origem judia, tendo o nome Pinter vindo do português Pinto. Este é também conhecido pela criação do teatro com objectivos sociais e políticos, sem duvida um director e indivíduo de enorme importância.
Mas voltemos à peca “a morte e a dama”, nesta magnifica peça é importante pensar na personagem Paulina pois são das acções desta que se centram todo o enredo. Tudo começa quando ela se apercebe que um amigo, doutor, do marido e de facto o homem que a violou varias vezes no tempo opressivo de Pinochet.
Isto faz com que Paulina procure através dos seus próprios meios julgar quem a condenou ao sofrimento dos fantasmas da violação… Esta peça tem a capacidade de, em algumas páginas, tocar abertamente em temas que seriam melhor ser ignorados, mas o autor, Ariel Dorfman, achou que só enfrentando os fantasmas do passado e dando voz a à consciência do povo Argentino podia-se exorcizar medos, ódios e traumas que perduram até hoje.
De certa forma, todos somos Paulina, ser sofrido que só enfrentando o passado com a mesma violência podia trazer justiça e alguma calma à sua alma. Claro que esta peça fala de intermináveis questões e parece-me que é ai que reside a grandeza e a profundidade da mesma que nos faz ver o quão opressivos certos sistemas sociais e políticos podem ser instalados numa sociedade, e nós, que podemos fazer em relação a isso? Quando estes sistemas são essencialmente opressivos e destrutivos?… A Historia não responde a tudo, ao que parece, cabe-nos a nos aqui e agora, sermos reponsáveis pela nossa sociedade.

“Liberdade não é agir dessa ou daquela forma. Liberdade é o equilíbrio entre o pensamento e a conduta.” Flávio Gikovate

Boas Leituras

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Claudio J. - que publicou 1376 noticias no Alentejo Magazine.


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