O rio Sado tem agora mais um galeão pronto a ser usado para fins recreativos, turísticos e culturais. O “Pinto Luísa” regressou a Alcácer do Sal, depois de ter sido alvo de uma remodelação profunda que durou quase dois anos e apagou as marcas do tempo, recuperando o brilho de outros tempos. O “Amendoeira” e o “Pinto Luísa”, ambos propriedade desta autarquia, são dois dos 15 galeões do sal que se pensa terem sobrevivido em todo o mundo, a maioria dos quais já sem condições de navegabilidade.
A recuperação da embarcação tradicional representou um investimento de mais de cem mil euros, com a substituição do tabuado e dos sistemas eléctrico e de segurança, bastante desadequados às actuais exigências da navegação. O galeão teve ainda o seu porão reestruturado, de forma a ficar mais espaçoso, bem como sanitários renovados. Aguarda ainda a chegada de um novo mastro, já adquirido.
O “Pinto Luísa”, construído em Setúbal em 1946, mede 19,30 metros e tem capacidade para navegar com meia centena de pessoas. Foi convertido ao lazer em 1985, pelo anterior proprietário, e adquirido pela Câmara Municipal de Alcácer do Sal em 2003. O “Amendoeira” foi recuperado no ano passado, já que se encontrava em avançado estado de degradação, em especial depois de ter naufragado há alguns anos.
O “Amendoeira” e o “Pinto Luísa” são testemunhas de uma época em que o Sado fervilhava de actividade económica e era veículo privilegiado para o transporte de pessoas e mercadorias. Recordam ainda a importância histórica do sal, o “ouro branco” que enriqueceu a região até ao final do século XVIII e deu nome a Alcácer.





