Zombies ao pequeno-almoço
Há quem deteste filmes de horror pelos mais variados motivos, no entanto se reflectirmos um pouco sobre o que é dito entrelinhas neste tipo de filmes – tirando todo o sangue, as mortes a que estão sempre condenados os personagens ou outra característica deste género de filmes- apercebemo-nos que estes são filmes tão ricos em brutalidades como em moralidades.
O que os filmes pornográficos estão para a desmistificação / normalização do acto sexual como algo natural, embora não o sendo por vezes nestes filmes, está a moralidade, critica social e reflexão sobre o individualismo, para os filmes de horror. Mas tanto o horror como o sexo tem algo de humanamente visceral é ai que reside o seu poder e nas várias leituras que façamos, neste caso, dos filmes de terror.
Há sem dúvida muito a ser escrito e feito em relação a este subgénero de filme e é por essa razão que hoje decidi trazer um livro sobre esta temática. “Gospel of the Living dead” de Kim Paffenroth (evangelho dos mortos vivos) que reflecte sobre a simbologia, sociologia, teologia e outras lugias dos mortos vivos, reflectindo acima de tudo sobre o “valioso”, alguns dirão que não, legado de George Romero, sendo este o “pai” do filme de Zombies.
O cinema sempre foi um bom veiculo de transmissão de mensagens, neste caso e a nossa sociedade que é reflectida em toda a sua barbaridade, pois neste a Humanidade é testada aos seus limites e toda a racionalidade, e mesmo emocionalidade, desaparece, ficando só e apenas o animal.
O primeiro de zombies foi o “Zombie branco”(1932) com Bellla Lugosi, mas foi com Romero, em 1968, com “noite dos mortos vivos” que o fenómeno começou a ganhar forca, hoje em dia a cultura dos zombie é tão vasta como o fenómeno subcultura da “guerra das estrelas” ou “star trek”.
Neste livro “O evangelho dos Zombies” Kim Paffenroth mostra-nos de forma muito clara e aprofundada como os Zombies nos assustem a tantos níveis, como o social, de ter pessoas que agem instintivamente com o único objectivo de matar, ou psicológico, pela forma como os zombies não vêem nada a não ser querer juntar gente às suas fileiras. Tudo isto é-nos explicado com exemplos a nível sociológico entre outras logias, que faz deste livro não só um bom livro sobre o cinema.
Este livro é também óptimo para ser discutido numa sala de aula ou entre amigos devido a conseguir tocar em tópicos que usualmente não se vêem ligados à temática dos zombies, este tema e tão abrangente que nada lhe escapa, nem Deus, nem a politica, materialismo, virtude ou mesmo o significado, que estes filmes podem ter.
Este é um livro para aqueles que gostam dos filme de horror vistos noutra perspectiva, mas nem por isso menos “assustadores” pelos temas levantados, pois este leva-nos a questionar se as coisas poderiam ser diferentes, mas parece que não. É impossível fugir seja da morte seja da animalidade, ou de qualquer outra característica zombie. Vendo bem, os filmes zombies são de facto um espelho da sociedade/homem contemporâneo em todo o que há de podre e ruim e não há fuga possível, segundo este livro e filmes….
Boas Leituras





