Sonho de 4 anos transforma-se em “Não é Fácil”
Percorrem o sonho da música há 4 anos. Ainda que com as dificuldades acrescidas que comporta fazer música na província, a força de vontade tem-se sobreposto a todos entraves que o meio musical lhes tem apresentado.
Persistentes e determinados acreditam que este percurso tem de ser feito lentamente.
Os XCODE, são naturais de Alcácer do Sal, com uma formação composta por 5 elementos, lançaram no ano passado o seu primeiro trabalho para a rua. O disco intitulado “Não é Fácil” é fruto de um investimento pessoal do grupo que edita este álbum de autor com 10 temas.
No ano em que tudo parecer acontecer ao grupo alia-se a isto a possibilidade das suas músicas chegarem ao pequeno ecrã, respectivamente a produções da TVI e da SIC.
XCODE lançam “Não é Fácil
“Uma carreira constrói-se ao longo dos anos”
Alentejo Magazine – “Não é Fácil”, lançado este ano, é o vosso primeiro trabalho, fruto de um trabalho de 4 anos de muita persistência. O que podemos encontrar no interior dos 10 temas quase exclusivamente compostos por vocês?
XCODE - Este é um álbum de puro pop-rock, cantado em português, que vai desde as músicas mais “pesadas” até às baladas românticas. Tal é um reflexo das influências e dos gostos musicais da união dos cinco elementos que resulta numa sonoridade consensual e não à imagem de cada um individualmente. Este trabalho de pop-rock era já esperado, na medida em que a maioria das músicas existia quase desde o início; algumas destas músicas inicialmente compostas estão inclusivamente reservadas para um segundo trabalho que se espera ser uma produção mais “pesada”, porque a banda apresenta mais tendência para o rock do que para o pop.
AM – Tendo em conta o agressivo mercado discográfico, como é que os X-CODE surgem por conta própria, com este trabalho de autor, pago por vocês?
XCODE – “Quando não se tem cão, caça-se com gato!” (risos). O que queremos dizer com isto é que como nunca conseguimos os apoios por parte das editoras e produtoras, tivemos que tentar a sorte por nós próprios. O mercado é muito competitivo e hoje em dia ninguém aposta em ninguém, daí termos feito tudo pelas nossas mãos. Ainda hoje continuamos sem editora.
AM – Outra questão que com certeza será pertinente é o suporte promocional. Como é que esse trabalho é desenvolvido sem uma grande máquina por trás? Sentem falta desse suporte? Em que aspectos essa necessidade é mais notória?
XCODE – Em primeiro lugar, podemos dar graças à excelente Relações Públicas que temos, Rute Canhoto, que tem sido incansável no que toca ao aspecto promocional. O suporte promocional tem sido feito através do envio de notas de imprensa relatando todos os passos dos X-CODE, de ofícios para várias entidades e de CD’s para imprensa e produtoras. Neste meio temos de ser extremamente persistentes e “chatos” para que possamos aparecer. É óbvio que sentimos a falta da “grande máquina promocional”, mas as coisas não deixam de ser feitas, embora a um ritmo menos acelerado. “Devagar se vai ao longe” e nós não nos iludimos com a fama rápida: uma carreira constrói-se ao longo dos anos e não de um dia para o outro. A grande diferença que se nota mais a nível promocional por não termos a “grande máquina” por trás é a falta de “bombardeamento” ao grande público feito através de televisão e rádios.
AM – Apesar das dificuldades em sair para a rua, este é um álbum que numa primeira impressão parece bastante positivo (senão vejamos o título dos temas “Esperança” e “Akreditar”), mas também um grito de alerta para a vossa música. Têm esta percepção? São pessoas positivas e esperançosas no futuro?
XCODE – Não é questão de sermos pessoas positivas e esperançosas, mas sim uma questão de lutarmos pelo que queremos, acreditamos e mais gostamos de fazer.
AM - Não se sentem por vezes impotentes para conseguir fazer chegar o trabalho mais longe? Nessa altura, como reagem a esses sentimentos?
XCODE – É mesmo por nos sentirmos impotentes que temos mais força de vontade e motivação para fazermos cada vez mais e melhor. Neste meio não se pode parar e temos de ser cada vez mais exigentes. Parar é a morte do artista! (risos).
“A inclusão de temas nossos em novelas pode ser a oportunidade de ingressarmos numa discográfica”
AM - Tendo em conta esta falta de suporte, como é que o álbum chega aos projectos televisivos e o que esperam sair desta experiência? Poderá ser a oportunidade por que esperavam ao longo destes anos para ingressarem numa discográfica?
XCODE - No caso específico dos “Morangos Com Açúcar”, da TVI, foi uma amiga nossa que tinha conhecimentos dentro da NBP que fez chegar a nossa música à pessoa indicada, embora a nossa Relações Públicas tivesse já estabelecido contacto directamente com o responsável musical da produtora em questão. No caso das novelas da SIC, o contacto por parte da SIC Música surgiu depois de uma actuação num programa do mesmo canal. Por enquanto, ainda é muito cedo para falar no impacto que as músicas terão nas novelas, até porque só está a passar um tema na TVI e não há mais de um mês. Talvez agora com os concertos de Agosto nos apercebamos de algum feed-back. Sim, pode ser essa a oportunidade de ingressarmos numa discográfica, na medida em que estabelecemos contactos e adquirimos conhecimentos que nos poderão facilitar as coisas daqui para a frente. Na música, como em qualquer outra actividade, os conhecimentos certos são dos factores mais importantes.
AM - Vocês enveredaram pelo rock cantado em português. No actual panorama musical nacional, em que outros estilos musicais predominam sobre o rock e num mercado tão agressivo, ainda há lugar para o rock cantado em português? Como é que se vêem nesse panorama?
XCODE – Claro que sim, senão vejamos os exemplos dos Xutos e Pontapés, UHF, etc, que sempre tocaram rock e ainda hoje tocam, que têm carreiras consolidadas ao contrário de outras “bandas relâmpago” que tocam o estilo que predomina na actualidade e que vende muito, mas acabam por desaparecer; isto não tirando o mérito aos outros estilos que não o rock, mas contra gostos não há discussões – nós nunca iríamos enveredar por um estilo musical que não o nosso, só para vender mais.
AM – Consideram que este é o ano dos X-CODE e de viragem na vossa curta carreira enquanto grupo?
XCODE – Não. Nós ainda somos “um bebé que acabou de nascer” e que tem ainda muito para crescer. Uma das coisas que temos que ter sempre em conta é que temos de ter sempre os pés assentes na terra e não vamos entrar em voos muito altos. Talvez só para o ano colhamos alguns frutos do trabalho que está a ser desenvolvido este ano.
AM – Tendo em conta as dificuldades já referenciadas, é inevitável que falemos dos hipotéticos condicionalismos que têm que ultrapassar, o primeiro dos quais o geográfico. Este condicionalismo foi factor importante, segundo o vosso ponto de vista, para em 4 anos os X-CODE só agora conseguirem alguma projecção?
Acham que ainda se vive hoje em dia muito o handicap de se fazer música na província, fora do meio musical de Lisboa? Como é que vocês percepcionam isso na vossa experiência enquanto grupo? Que dificuldades acrescidas isso vos traz?
XCODE – Sim, porque, quer queiramos quer não, existem sempre muito mais possibilidades para as bandas das grandes cidades do que para as bandas da província. É lá que estão os meios e é lá que se desenrola a maior parte da acção no panorama musical. Embora a música que se faz na província não seja de menor qualidade do que a música feita nos grandes centros, todo o meio envolvente vai reflectir-se no trabalho desenvolvido.
“As expectativas e ambições que temos hoje não são as mesmas que tínhamos no início”
AM – Em 4 anos muito tempo houve para escreverem e percepcionarem o mundo musical. As expectativas e as ambições que tinham são as mesmas que hoje têm em relação ao meio musical? Que expectativas e ambições são essas?
XCODE – As expectativas e ambições que temos hoje não são as mesmas que tínhamos no início, porque ao longo dos anos vamos amadurecendo e ficando cada vez mais exigentes. Nestes 4 anos de existência não vivemos muito, mas vivemos o suficiente para não criar grandes expectativas em relação ao meio musical, ao contrário do que tínhamos no começo em que eram só sonhos e não tínhamos a noção daquilo por que ainda tínhamos que passar. Já nos desiludimos com algumas coisas, mas daqui para a frente esperamos que corra tudo bem. Somos muito ambiciosos e queremos chegar o mais longe possível.
AM – Já existem mais músicas prontas capazes de gravar outro trabalho?
XCODE – Sim, já estamos a trabalhar para o segundo álbum e já existem músicas prontas para serem gravadas. Não podemos parar no processo de composição e arranjos, porque se trata de um procedimento demorado.
AM – Quais são as vossas metas musicais?
XCODE – Nós não estipulámos metas, ou pelo menos por enquanto: vamos até onde o público nos levar! Até porque isto começou quase como que por uma brincadeira em que só pensávamos em tocar nos ensaios as músicas que nos davam gozo tocar e ficávamos todos contentes quando as coisas saíam bem e agora, de repente, vemo-nos com alguma responsabilidade. Mas, como já dissemos, quanto mais longe formos, melhor.
Quatro anos de XCODE
Decorria o ano de 1997, quando três jovens de Alcácer do Sal decidiram juntar-se para tocar e fazer música. Eram eles: Jaime Romano Batista (voz e guitarra), Nuno Batista (bateria) e Cláudio Oliveira (baixo). Cláudio mal sabia tocar viola quando Jaime lhe perguntou se queria formar uma banda, ao que este lhe respondeu que sim de imediato. Jaime ensinou-o a tocar e ao fim de três meses começaram a ensaiar. Ensaiavam numa casa velha, a cair aos bocados e dos seus instrumentos e amplificadores, não menos velhos, começaram a sair os primeiros acordes desta banda alcacerense.
Mais tarde requisitaram um guitarrista (Álvaro Rêgo) para fazer parte da banda e ao fim de um ano deram o seu primeiro concerto com o nome de “Neurose”, primeiro nome adoptado pela banda. Atrás deste vieram mais alguns, mas esta formação estava condenada ao fracasso e passado mais um ano a banda acabara.
Descontentes com este desfecho e porque era um sonho comum, voltaram a juntar-se em 2001, desta vez sem Álvaro mas com a entrada de um novo elemento: Gonçalo Oliveira (guitarra acústica e voz). Assim nasceram os “Code”, visto que eram dois irmãos de raça branca mais dois irmãos de raça negra, fazendo alusão a um código de barras. Só com a entrada do 5º elemento em 2003, Luís Primo (guitarra), é que mudam o nome para “X-CODE”. Actualmente a banda tem a seguinte constituição: Jaime Romano Batista – voz e guitarra, Nuno Batista – bateria, Cláudio Oliveira – baixo, Gonçalo Oliveira – guitarra acústica e Luís Primo – guitarra.






June 17th, 2009 at 2:15 pm
CANTAM BEM OU NAO