O presidente da Câmara Municipal de Sines, Manuel Coelho, eleito pela CDU, anunciou a sua desvinculação do PCP, alegando “recriminações e acusações” do partido relativamente a decisões tomadas enquanto autarca.
“Tomei a decisão de me desvincular do PCP, no qual militava há mais de 35 anos”, revelou hoje o autarca em conferência de imprensa, realizada no município.
Manuel Coelho, que está a cumprir o terceiro mandato à frente da câmara de Sines, disse ter comunicado pessoalmente, no sábado passado, a “três elementos dirigentes” do PCP, a sua decisão de se desvincular do partido.
“Esta decisão foi transmitida pessoalmente, sábado, após uma discussão semelhante a outras [ocorridas anteriormente] e que levou, inevitavelmente, a esta decisão”, afirmou.
O autarca alega que, em reuniões partidárias, era alvo de “recriminações” e “acusações”, as quais considera “absurdas, idiotas, insuportáveis e não mais toleráveis”.
Como exemplo, Manuel Coelho disse ter sido questionado sobre os motivos pelos quais tem comparecido nos “actos de cerimónia do senhor primeiro-ministro” ou sobre “o que disse, ou quis dizer, em entrevistas sobre o interesse dos investimentos em Sines”.
“Porquê o convite ao presidente da República para os actos inaugurais do Castelo ou porquê demitir determinados quadros superiores da câmara” foram outras das questões que, disse, têm sido suscitadas dentro do partido “ao longo dos últimos três anos”, à sua gestão.
Estes factos, acrescentou, levaram-no a “uma análise dos fundamentos ideológicos, da estrutura, dos programas e das práticas políticas do PCP”, com uma conclusão que motivou a desvinculação.
“Concluo que este partido está impregnado de um conjunto de características típicas de organizações dogmáticas, com disciplina de caserna, que o tornam uma organização estalinizada, com práticas reaccionárias, envolvidas de um discurso pretensamente progressista, mas, de facto, retrógrado”, acusou.
AYN/RRL.
Lusa
Foto: CMSines





