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Palavras Soltas – “O peso da Imortalidade”

Pubicado em 01 February 2009

Por Tiago Ribeiro

blade-2Dizem alguns poetas/filósofos que nascemos, para morrer (um dia) e isto até pode suar, para muitos, como uma irreconhecível/ irreconciliável realidade, no entanto, é inegável tal facto, não importa o que façamos ou quem sejamos. Tudo o que fazemos entre o momento do nosso primeiro choro infantil até ao último suspiro mortal, sem dúvida nos define e nos exige uma constante reflexão.
A mortalidade e sem dúvida algo de que não podemos fugir, talvez seja por isso que os conceitos de imortalidade sempre nos seguiram como Humanidade nas suas diferentes culturas. De deuses a forças naturais, sem esquecer os animais/lugares sagrados, em tudo há imortalidade, mesmo que daqui a vários milhões de anos o planeta Terra seja engolido pelo Sol, ou coisa do género.
Nunca fugimos do conceito de imortalidade, ele sempre nos persegue de tão culturalmente enraizado que está em todos nós. Um livro que li que abordava este tema foi “Blade of the Immortal” (espada do imortal) de Hiroaki Samura, nesta vasta e simbólica história de vários volumes, e sem deixar de ser um clássico, conhecemos Manji.
Manji depois de se tornar um samurai fugitivo, tendo antes sido um “pau para toda obra” de um terrível dono de terras, torna-se imortal, tendo como missão fazer o mundo mais “leve” de mil terríveis samurais, como forma de vingar a morte da família de sua companheira Rin.
Hiroaki Samura, autor desta obra, começou a sua carreira quando concorreu para uma revista que procurava novos talentos, mas foi com “A espada do imortal” que este deu um novo e inovador folgo ao estilo, Jidai-gaki (historias no períodos dos samurais) um nível artístico hiper modernista, em conteúdo e forma.
Se tirarmos a excessiva violência, sem nunca esquecer a belíssima arte desta premiada obra, sem dúvida conseguiremos perceber a sempre presente simbologia/metáforas deste género de manga. O que mais atrai nesta obra é sem dúvida a forma como e contada e os vários desafios que Manji enfrenta, mas não deixa nunca de apelar aos leitores o facto de Manji ser um típico anti-herói, ou seja por cada qualidade, dois defeitos a acompanham, este é sem duvida muitíssimo humano.
Esta história, pensado bem, talvez nos queira dizer, entre outras coisas, que talvez ser imortal trás consigo algum pesar e desafios. Imaginem ver os outros a envelhecer e nós sempre iguais, sempre a aprender, sempre a experienciar a vida…nisto tudo e por mais agradável que seja, chegaria um dia em que o maior obstáculo da imortalidade seria a própria Vida.
Manji está condenado a enfrentar os seus adversários, que se tornam mais sanguinários, mas a história avança e embora este livro seja 100% destinado a adultos, em todas as leituras que façamos desta sublime obra da manga, há sem dúvida muito para nos fazer pensar, e sempre, melhor viver.
Nada melhor do que viver de consciência limpa, mesmo que de quem aprendemos algumas lições, algo amargas, venham de um mundo/personagens fictícios.

“”A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver.””
Paul Klee

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Claudio J. - que publicou 1376 noticias no Alentejo Magazine.


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