Numa ida rápida ao wikipedia reparamos que há vários Marxes à escolha, temos uma serie australiana com esse nome, mas não é dessa que quero falar, temos um livro de citações de Lennon onde entra também um Marx, neste caso Arthur Marx, jogador de ténis.
Há também o conhecido Karl Marx, mas visto o título deste artigo referir-se “ao cómico Marx” é melhor riscar este, porque este pouco teve de cómico, ou mesmo irónico, por mais que demos voltas ao que este Marx fez e suas consequências mundiais. Mas leitores, não se indignem devido a tal facto, não ser-se cómico não quer dizer, necessariamente, que não tenha valor, pelo contrário, se medisse-mos o poder cómico de alguém, comparando-o com o seu valor social/cultural, teríamos o grupo humorístico “os contemporâneos” a governar o pais.
Não, o Marx de que hoje vos venho falar é do Groucho Marx, conhecido humorista que cresceu no mundo do vaudville (teatro de revista americano) tendo-se tornado conhecido, não só pelo seu bigode e óculos, mas também pela inteligência e humor com que usava a linguagem.
O livro que hoje trago, “Groucho e eu” é deste mesmo actor tornado autor, onde este reflecte sobre o mundo em que viveu e embora tenha sido algumas décadas atrás não deixa de pensar sobre o que há de constante na nossa sociedade ocidental, como o nosso gosto pelas celebridades, o gosto de falar mais da vida dos outros do que da nossa e muito mais….
No inicio do livro Groucho bem nos lembra quem é ele, pessoa simples sem doutoramentos de nenhuma ordem, que se acha com pouco ou nada para dizer, no entanto isso não faz com o que lemos deixe de ter interesse, porque Groucho consegue-nos ir falando de tudo aquilo que pensa sem nunca deixar de ter piada.
Se há um livro que acho inteligente, este “Groucho e eu” é um bom exemplo disso sem nunca ser monótono. Este livro é dividido em 24 capítulos e em todos eles, Groucho ilumina-nos sobre o que ele acha sobre riquezas, a vida, hollywood, viagens sempre com o seu humor surreal que nunca deixa de ser bem real na sua essência.
Groucho nasceu no mundo do entretenimento mas isso não impediu o seu amor pela leitura, tendo sempre sido um voraz leitor. São dele frases como” “eu acho a televisão muito educativa, sempre que alguém a liga eu vou para outra sala ler um livro”; “Desde que peguei no teu livro até quando o pus de lado, não parei de rir, um dia quero lê-lo” ou “Tirando o cão, o livro é o melhor amigo do homem, dentro do cão está muito escuro para ler”.
Groucho Marx não fez só vaudville, fez também cinema e rádio, e na minha opinião deve ter tentando a escrita neste livro só pela diversão de o fazer, vendo bem, se gostamos do que fazemos nada melhor do que o fazer em vários formatos, infelizmente nem todas as profissões têm tanta flexibilidade.
Este livro lembra-nos algo importante sobre o acto da escrita deste e de todos os tempos, algo tão simples como: se não sabes sobre o que escrever, escreve sobre quem conheces bem, tu mesmo, infelizmente, só alguns o fazem com humor e inteligência….
“Porque me deverei preocupar com a posteridade? O que a posteridade alguma vez fez por mim?” Groucho Marx
Boas Leituras





