Vive-se para se ser feliz mas no entanto a felicidade não deixa de ser algo sempre fugidia. Na sua busca, muitos julgam-na encontrar em riquezas, influência, poder, entre outras, no entanto quem já nasce nesse mesmo universo parece algumas vezes procurá-la fora desta.
Outros ainda escolhem Deus como orientador para a felicidade, mas num mundo secular onde vivemos, este parece não responder a todas as preocupações/ansiedades da modernidade, logo esquece-se Deus. Talvez a felicidade não seja uma questão de ter ou não ter, mas uma forma de ser e estar, sendo algo emocional e “transcendente” ao ser humano, sem nunca deixar de estar ao alcance deste.
Muitos escritores e pensadores já escreveram sobre o que é a felicidade, e muitos mais continuaram a escrever para tentar descodificar os seus mecanismos, mas talvez a solução desta seja a coisa mais simples e natural que alguma vez pensamos ser.
Um dos pensadores da felicidade foi Blaise Pascal, nascido em 1623 tendo-se tornado num notório matemático, tendo sido em tenra idade estimulado pelo pai, juiz de profissão, a seguir as ciências. Num tempo em que Decartes punha em questão a essência da ciência como forma de encontrar a Verdade, Pascal viu a religião como complemento desta.
Das várias experiencial que Pascal fez, constam a experiências em relação à pressão dos gazes e líquidos e tendo sido com Fermat que criou o cálculo das probabilidades. Mas como vai um génio da matemática ser levado a escrever sobre a felicidade? No caso de Blaise Pascal, esse facto deve-se a esse ter tido um dissabor com a sociedade de ciências onde pertencia devido à criação de uma máquina de cálculo (a Pasqualina), escolhendo a religião nos últimos anos de vida.
E é dos últimos anos da vida de Pascal que vem o livro que hoje venho sugerir, depois deste ter criticado os Jesuítas, anos antes num conhecido ensaio, ele escreve neste livro sobre as suas ideias de felicidade, e o curioso disto é ter-se dado depois de ser reprovado pelos seus sócios cientistas….tão contraditória e a existência humana.
A beleza e grandeza deste livro vem de como Pascal consegue de facto “dissecar”, se assim posso chamar, quase “cientificamente” a felicidade de maneira a perceber como a alcançar. Mas descansem que este faz de maneira muito simples capaz de ser percebida por todos.
Mesmo na sua busca Pascal percebe o tão humano e a busca da felicidade e a forma como esta é alcançável e sempre elusiva no seu processo e fim. A pergunta continuará sempre a existir tendo sempre várias respostas conforme o século e o individuo que a responder, “O que e felicidade? Como posso alcançá-la?”
Para Pascal a resposta residia em Deus, mas nem por isso a sua racionalidade e lógica parecia saber que ele também existia na ordem matemática, “Felicidade e matemática? Isso não faz sentido” deve pensar o leitor, mas na perspectiva de matemáticos como Pascal tudo é matemática e explica-se através dela, logo num mundo de números, a busca de felicidade não passa da busca de uma “fórmula”, se e se tal e possível….
“Contradição não, é um sinal de falsidade, nem a falta de contradição é um sinal de verdade” Blaise Pascal
Boas Leituras





