Moradores e proprietários de Grândola e Santiago do Cacém constituíram uma associação contra o projecto de um traçado ferroviário para transporte de mercadorias que, alegam, pode “destruir aldeias”, “montado”, “pinhais”, “lençois freáticos” e “quintas históricas”.
A ‘”Associação Protectora do Montado, Contra a Ferrovia Relvas Verdes-Grândola Norte”, que foi constituída oficialmente, defende a “requalificação da linha ferroviária já existente entre Sines e Ermidas, com ligação a Beja”, em vez de um traçado que atravessa os concelhos de Grândola e de Santiago do Cacém.
“Este traçado vai abranger e destruír aldeias, pinhais, lençois freáticos e zonas de abastecimento de água, quintas históricas, turismo rural que existe nesta região”, argumentou em declarações à Agência Lusa Leonor Gonçalves, uma das impulsionadoras da criação da nova associação.
“Segundo nos é dado a saber, este traçado está em avaliação de impacto ambiental no Ministério do Ambiente”, avançou.
A representante da Associação aponta várias “habitações e localidades em risco”, como “Vale Figueira”, a “Aldeia do Pico” ou o “Bairro da Paragem Nova”, no concelho de Grândola.
“Nalguns locais [a linha] passaria próximo, e noutros passa por cima de casas, a seguir a Melides passa por cima de várias casas novas”, afirmou com alguma incerteza, por não ter acesso a informações concretas.
“Enquanto Associação, já temos legalidade e já somos uma personalidade jurídica para pedir explicações a quem de direito”, disse, justificando a constituição da associação, inicialmente com cerca de 20 membros.
Proprietários de terras agrícolas, residentes nos concelhos, pessoas de Grândola e de Santiago do Cacém, amigos do ambiente e uma representante de uma empresa agrícola que emprega nesta altura do ano cerca de 200 trabalhadores, cuja propriedade está em risco, juntaram-se agora “para pedir explicações”.
“Queremos explicações em relação ao traçado, que não conseguimos compreender, quando existe o traçado Sines-Ermidas e Ermidas-Aeoroporto de Beja, que vai ser o elefante branco do Alentejo”, asseverou Leonor Gonçalves, que cresceu em Grândola e que é proprietária de um terreno, herança de família.
O traçado em causa já havia sido criticado pelo presidente da Câmara Municipal de Grândola (PS), Carlos Beato, em Maio deste ano.
O autarca afirmou na altura, em declarações à Agência Lusa que “só por cima” do seu cadáver se concretizaria o traçado previsto para a linha ferroviária de mercadorias Sines-Espanha, alegando que a via “retalha o concelho e aldeias” e “passa por cima de casas”.
“O traçado retalha o concelho de Grândola, passa pelo meio de aldeias e por cima de casas e vai obrigar a abater centenas e centenas de sobreiros”, justificou Carlos Beato, tendo alertado que “Grândola é um dos destinos turísticos em que se quer apostar”, com investimentos superiores a dois mil milhões de euros.
Agência Lusa





