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	<title>Alentejo Magazine &#187; Entrevistas</title>
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	<description>Na internet mais rápido que no papel. A Informação Regional do Alentejo</description>
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		<title>Tiago Ribeiro entrevista&#8230; Isabel Duarte</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 22:52:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio J.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Isabel Duarte mora no Brasil e tem muito para contar, deste uma infância passada num Portugal pobre, uma experiência directamente pessoal com o sistema de Salazar, sem nunca esquecer a sua fuga de liberdade para o Brasil que a transformou.
Alentejo Magazine (A.M)- Fala-me um pouco do Portugal do teu tempo de infância e das transformações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isabel Duarte mora no Brasil e tem muito para contar, deste uma infância passada num Portugal pobre, uma experiência directamente pessoal com o sistema de Salazar, sem nunca esquecer a sua fuga de liberdade para o Brasil que a transformou.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine (A.M)-</strong> Fala-me um pouco do Portugal do teu tempo de infância e das transformações que presenciaste.</p>
<p><strong>Isabel Duarte-</strong> Em primeiro lugar agradeço a oportunidade e quero louvar o teu interesse pelos emigrantes.<br />
Os meus pais eram portugueses. A minha mãe de Aljustrel e meu pai de Almada.<br />
Eu nasci em S.Paulo, Brasil, durante a revolução constitucionalista de 1932 e foi por causa da revolução que voltámos para Portugal.<br />
Fomos viver em Almada numa quinta, onde ficámos até eu ter 8 anos de idade.<br />
Os meus pais venderam essa quinta e compraram um restaurante na Fonte da Pipa. Era um lugar isolado, onde só havia a companhia de pesca, a tanoaria, o cais e a praia. Por outro lado, a movimentação do cais, os pescadores, os marinheiros, davam vida ao lugar.<br />
Era a época da guerra, havia racionamento e contrabando de géneros alimentícios.<br />
E, o pior de tudo, vivia-se a ditadura Salazarista, eu ouvia as notícias da BBC e da Rádio Voz de Moscovo com o noticiário da guerra.<br />
Havia exercícios de simulação de ataques aéreos, tropa nas ruas (os famigerados legionários). E havia a PIDE, que prendia gente por tudo e por nada. Os jornais eram censurados e os escritores perseguidos.<br />
As associações e as cooperativas eram muito visadas, mas foi nas bibliotecas que eu assisti a palestras de autores como Romeu Correia e Alves Redol e lá cheguei a presenciar a prisão de alguns amigos meus.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Onde estavas no 25 de Abril? E como acompanhastes esses acontecimentos?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Eu já estava aqui no Brasil, aonde cheguei em 1973.<br />
Acompanhei, emocionada, as reportagens da tv, do povo nas ruas, festejando o sucesso da revolução dos cravos.<br />
Não voltei para Portugal devido ao facto de ter o casamento desfeito e por acreditar, que o meu lugar era aqui onde eu tinha nascido. Fugi de Portugal, do Portugal geográfico, mas a alma portuguesa veio comigo na bagagem.<br />
E sou como tantos outros, um ser transplantado, com um coração português a bater no meu peito brasileiro.<br />
Assim, viajo dentro e fora de mim, descobrindo e descobrindo-me nas ruínas aqui deixadas pelos portugueses.<br />
O país de Abril também foi sonhado por mim.<br />
Nasci brasileira, mas o sangue é português, e a alma acho que não tem nacionalidade.<br />
Continuo fiel ás raízes, continuo fiel à infância. A pátria para mim é gemelar, mas não é um lugar abstracto, é um chão concreto, um caminho de duas vias, às vezes um tanto áspero, mas recheado de marcas afectivas. As minhas raízes estão presentes na minha memória, ainda que sejam divididas entre Portugal e o Brasil.<br />
E vejo Portugal com a importância merecida por sua história, tendo assento entre as nações.<br />
Acredito que ainda está na memória dos portugueses da geração de 70-80 o 25 de Abril e a afirmação clara dos desígnios traçados nessa altura pelo povo português.<br />
Na verdade, o povo, o País continua à espera que se instale uma política virada para o bem-estar dos portugueses, e não aquela política que privilegia o grande capital e uma classe privilegiada, a da gestão de bens e serviços.<br />
Nossa consciência mantém viva a promessa do Portugal de Abril, que nos deu  direitos, e a esperança e a confiança num futuro melhor.<br />
Que se cumpra o Portugal de Abril!</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Como tem sido viver durante tanto tempo no Brasil? E de que forma isso alterou a tua visão do mundo e do ser humano?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Cheguei ao Brasil para passar um mês em casa dos meus padrinhos de baptismo, mas arranjei trabalho como modelista e decidi ficar no Brasil, dando fim a um casamento de 22 anos. Passei algumas dificuldades no início, mas logo consegui melhorar a minha situação. Trabalhei em alta-costura, como estilista e modelista.<br />
Ao mesmo tempo procurei reciclar-me, fazendo diversos cursos de arte, e sobretudo de filosofia.<br />
Depois de 22 anos de trabalho em S. Paulo, senti necessidade de sair da vida agitada de S.Paulo, e procurei um lugar onde pudesse montar o meu atelier.<br />
Vim para Minas Gerais, para um distrito de Ouro Preto.<br />
E aqui construí a minha casa e conheci gente de todo o lugar, com uma forma de vida alternativa. Isso enriqueceu-me como pessoa e despertou as minhas preocupações sociais.<br />
No contacto com a natureza, se encontram misturados poesia, harmonia e colorido. Aqui neste lugar convive-se de perto com o imaginário e o fantástico que a natureza nos reserva. Isso levou-me a dar aulas de desenho, pintura e bordados, com esses cursos, as crianças e as mulheres aprendem a trabalhar com artesanato, conseguem ver um pouco além das coisas, encontrar uma janela de onde partirão em direcção à vida.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Porque é que veio tanta gente de fora para este lugar?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Vieram como eu vim, à busca de um sentido para a vida.<br />
E ficaram, fizeram as suas casas, criaram os seus filhos, desenvolveram o artesanato em prata, que ensinaram aos nativos da região.<br />
Se na boca de alguns chamá-los de “hippies” era ofensa, eles levaram isso como coisa aceite. No começo não podiam deixar de sentir um certo mau estar, mas seguiram guiados pela escolha que haviam feito.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Mas, o que é que eles queriam? Sonho? Poesia? Utopia?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Eu acho que eles podem falar de experiência, de viagem interior, de vida, Porque é bom ver a luz, sentir o calor, o cheiro da terra molhada, Ver as flores a cheirar ao espanto de existir e ao sonho das coisas naturais.<br />
Isto aqui para mim é bem mais do que um sonho de minha imaginação. É que não há sonho que se compare a este arrepio, a este horizonte de Sto António do Leite.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Podes-me falar um pouco da região onde vives e da presença portuguesa aí e de como isso marca/marcou a cultura da região?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Por volta de 1693 foi encontrado ouro em Ouro Preto e a época em que teve mais abundância foi entre 1725 e 1750.<br />
E, como lá não se podia plantar nada, era aqui nesta região que vinham se abastecer.<br />
O nome deste lugar é devido ao facto dos soldados de cavalaria virem aqui fazer as suas cavalgadas e pararem para comprar leite. E Santo António do Leite, por causa do português António Sarmento, que mandou construir a igreja para o seu santo protector.<br />
Os primeiros moradores eram descendentes de portugueses e árabes e fixaram residência aqui em 1750 num arraial de Bandeirantes.<br />
Aqui foram construídos os moinhos de água e toneladas de cereais eram aqui beneficiados para abastecer Ouro Preto.<br />
Aqui havia uma passagem obrigatória para o Rio de Janeiro, que se chama estrada imperial, porque D.Pedro passava sempre por aqui e parava para selar os seus cavalos.<br />
Ainda existe a casa onde ele se hospedava, que pertenceu ao Padre Vidal e ficava numa fazenda enorme; a casa era de cantaria com senzala e igreja. Agora é uma pousada.<br />
E ainda se encontram vestígios de um antigo quilombo, aonde os escravos se refugiavam, quando fugiam de Ouro Preto.<br />
Voltaram a extrair ouro por aqui perto e eu receio que vão esburacar a serra do Catete, que é o belo visual dos fundos da minha casa.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Tens saudades de Portugal? Como o vez, e o que ele se tornou  desde que emigraste?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Tenho saudades de Portugal, mais da Fonte da Pipa, evidentemente, pelas reminiscências de infância.<br />
Tenho lá uma filha, dois netos e dois bisnetos. Agora com a net estamos sempre em contacto.<br />
O meu sonho era poder passar metade do ano aqui e a outra metade em Portugal.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Sei que fazes artesanato, como é vista tanto pela população como pelo governo a Arte em Minas Gerais? Há apoios?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Ouro Preto vive exclusivamente do turismo e de algumas empresas de minério. Aproveitando o fluxo de turista durante todo o ano se desenvolveu o hotelaria e o artesanato. O mais forte de todos os trabalhos é a ourivesaria, devido à abundância de pedras preciosas. Há também uma forte produção de trabalhos em pedra sabão: esculturas, fontes, panelas, etc.<br />
Aqui onde eu moro fazem jóias artesanais em prata, objectos em cerâmica, máscaras venezianas, peças de bambu e bordado.<br />
Em 2001 apresentámos um projecto de artesanato à Prefeitura de Ouro Preto, que foi rejeitado por falta de verba.<br />
Em 2006 foi apresentado um novo projecto que foi aprovado, e muitos cursos foram oferecidos à comunidade.<br />
Em 2007 novo projecto foi apresentado, mas por questões burocráticas, ficou engavetado e perdeu a verba destinada.<br />
Agora temos aqui uma feira de artesanato, que funciona todos os fins-de-semana. Mas, devido à crise financeira, as vendas caíram, o que fez alguns artesãos saírem do artesanato para trabalhar em mineração.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Como é o Brasil real, tirando todas as máscaras vendidas pelas telenovelas?&#8230;</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>O Brasil é um grande país, grande demais até, para ser governado. Há muita desigualdade social, o que gera a marginalidade que tanto preocupa as autoridades. Não há segurança nas cidades. Há assaltos até em condomínios fechados. As favelas são dominadas por traficantes e pelas milícias armadas, que formam um poder paralelo, que consegue até eleger representantes no governo.<br />
Mas, é lamentável que a grande media divulgue os escândalos financeiros e as chacinas e esqueça que os brasileiros têm muito optimismo e muita criatividade. Tem muita gente mobilizada em acções de cidadania e tem muitos empreendedores acreditando no potencial do país.<br />
E, devido à força da economia brasileira, é possível que o Brasil saia desta crise dentro em breve.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>E falando do Brasil é impossível não falar do misticismo popular, que importância tem isso para ti e como é visto isto em Minas Gerais?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>O misticismo em Minas é muito forte.<br />
Existem localidades com eventos e fenómenos pouco comuns. Várias cidades como Brasília, Chapada dos Guimarães, São Tomé das Letras encontram-se sobre imensas jazidas de cristais, e esta poderia ser uma das causas apontadas para serem especiais do ponto de vista místico.<br />
Outros locais encontram-se perto de florestas densas, aglutinando o poder shamânico dos elementos e entidades espirituais existentes entre as plantas e os animais. Qualquer que seja o motivo para estes locais serem especiais, já se tornaram o destino de um tipo particular de turista, o buscados místico, que traz em sua bagagem uma cultura de história, hermetismo e a necessidade de contactos em planos elevados, a realização de rituais ou a necessidade de isolamento para meditação.<br />
O misticismo do brasileiro é ecléctico e contagia as pessoas que nos visitam. Temos aqui: Ufologia, Radiestesia, Pedras e cristais, Astrologia, Meditação, Numerologia, Feng-Shui, Anjos, etc.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Que autores mais te marcaram e que tem eles que te atrai?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Na minha juventude li bastante literatura portuguesa, brasileira e americana.<br />
Mas foi a obra de Jorge Amado a que mais me marcou. Até 1972 já tinha lido todos os livros dele até Teresa Batista cansada de guerra. E de todos os livros o mais significativo foi Jubiabá.<br />
Acompanhei a trajectória política de Jorge Amado, sua luta a favor dos plantadores de cacau, dos pescadores, dos camponeses e dos marginais. Depois que ele abdicou da crítica social violenta, apareceram os seus romances, que foram aproveitados pelo cinema e telenovelas.<br />
A sua discrição de Salvador e dos areais da Baía, me levavam para lá. E quando lá cheguei identifiquei até o cheiro de dendê do acarajé que as baianas fritam nas ruas.<br />
Das personagens em Jubiabá, destaco Balduíno, que teve de facto uma trajectória em ascensão. Nasceu pobre no morro, mas era um menino diferente de todos. Sempre foi bom de “capoeira” e no violão, ficou célebre com os sambas que compôs. Também tinha grande sucesso com as mulheres. Teve um filho para criar, o que lhe deu nova consciência e o levou em direcção à consciencialização política e actividades em prol do bem comum.Ele foi o meu herói.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong> Em relação à gastronomia de Minas, fala-me um pouco dos pratos tradicionais dai e da sua possível origem, e quais mais te agradam?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>A gastronomia de minas é bem tradicional, porque é a mais característica do Brasil. Tem origem na época dos escravos, o ciclo do ouro, das pedras preciosas, e dos lugares onde se escreveram muitas páginas da história brasileira, como Ouro Preto, Diamantina, São João del Rei, Tiradentes, etc.<br />
O prato “feijão tropeiro” era feito pelos homens encarregados do transporte do ouro desde as minas até à capital, Rio de Janeiro.<br />
A cozinha mineira é toda baseada em produtos de fundo de quintal, o porco, a galinha, o quiabo, a couve, o fubá. Por isso mesmo é simples, mas de sabor inigualável e marcante.<br />
A cozinha mineira seduz principalmente pelos aromas, que não saem da memória de quem já sentiu o cheiro de um lombinho assando no forno, do torresmo saltando na pururuca, numa velha panela de ferro, da linguiça que sempre acompanha. As panelas ficam horas sobre o calor do fogão de lenha e liberam aromas que calam fundo na memória de quem já caminhou displicente pelas ruas de uma cidade do interior mineiro.<br />
O prato que eu mais gosto é frango com quiabo.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Quem é para os Mineiros o Tiradentes e que influência teve e tem ele na cultura e historia de Minas Gerais?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Tiradentes é um herói nacional e mudou a história do Brasil, não só a de Minas Gerais.<br />
Todos os participantes da Inconfidência Mineira foram presos, julgados e condenados. Onze deles receberam sentença de morte, mas D. Maria I, rainha de Portugal, modificou a pena para degredo perpétuo em outra colónias portuguesas em África. Só Tiradentes teve sua pena de morte mantida.<br />
Ele era precisamente o mais pobre e o mais entusiasmado com a ideia de tornar o Brasil um país independente.<br />
Percorrendo o país como mascate, e depois como militar encarregado de proteger o caminho que liga Minas ao Rio, Tiradentes impressiona-se com a pobreza e a exploração do povo.<br />
Influenciado pelas ideias iluministas da revolução francesa, Tiradentes prega a revolução nas tabernas, bordéis e casas de comércio.<br />
Mas, a Inconfidência Mineira não foi uma revolta de carácter popular. Visava apenas o fim da opressão portuguesa, que prejudicava a elite mineira.<br />
Aconteceu a traição do português Silvério dos Reis, cujo objectivo era conseguir o perdão para as suas dívidas, o que realmente obteve, com a denúncia da revolta.<br />
Tiradentes foi executado em 21 de Abril de 1792.<br />
Mas a independência do Brasil só aconteceu em 1822, com o grito do Ipiranga.</p>
<p><strong>(A.M)- </strong>Para terminar gostava de saber, depois de uma vida tão longa, complexa e interessante como a sua Isabel, pode partilhar com os leitores o segredo de saber viver bem e feliz?</p>
<p><strong>Isabel Duarte- </strong>Pelo que trago da minha experiência, a procura de uma vida plena, com significado sempre renovado, é bem possível de se realizar.<br />
Todos os caminhos são importantes, se nos ajudam a crescer como pessoas, a compreender melhor, a realizar-nos mais, a vivenciar formas mais ricas de comunicação e amor.<br />
O melhor que podemos fazer pela sociedade, pelo mundo, pela família e por nós mesmos, é sermos pessoas mais evoluídas, mais maduras, mais humanas.<br />
Podemos conhecer mais e experimentar novas formas de viver, pela acção, pela reflexão, pela intensa comunicação com as pessoas, e até pelo isolamento, pela adesão a uma religião ou a uma filosofia humanista.<br />
A vida é como um lento desfolhar de novos significados, cada camada descoberta leva-nos a novas perspectivas, ao aprofundamento de novas dimensões.<br />
Aprenderemos sempre com cada circunstância que se nos apresente:<br />
Procurar viver com simplicidade, menos apegados aos bens e ao poder.<br />
Ir na contra mão do consumismo, da posse, da ostentação.<br />
Mudar a nossa vida até onde formos capazes, para encontrar uma nova forma de comunicação, uma nova identidade.<br />
O que eu posso compartilhar com todos é que a felicidade está em coisas simples, e na devoção e consideração pelo outro.<br />
É estar aqui sentada na minha sala, enquanto escuto a aragem da brisa nas árvores e escutar também o silêncio interior.</p>
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		<title>Tiago Ribeiro entrevista&#8230; Humberta Araújo</title>
		<link>http://alentejomagazine.com/2009/04/tiago-ribeiro-entrevista-humberta-araujo/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 22:03:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio J.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista de Tiago Ribeiro, correspondente no Canadá
As palavras moldam-nos e através delas cada cultura partilha o que há de mais essencial nela, basta prestar atenção. Humberta Araújo é jornalista, natural do Canadá.
Na sua entrevista a Tiago Ribeiro, correspondente do Alentejo Magazine no Canadá, Humberta Araújo fala do seu percurso profissional, cultura e da sua ligação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Entrevista de Tiago Ribeiro, correspondente no Canadá</p>
<p><a href="http://alentejomagazine.com/wp-content/uploads/2009/04/maecronicaliteraria.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2152" title="maecronicaliteraria" src="http://alentejomagazine.com/wp-content/uploads/2009/04/maecronicaliteraria.jpg" alt="maecronicaliteraria" width="300" height="225" /></a>As palavras moldam-nos e através delas cada cultura partilha o que há de mais essencial nela, basta prestar atenção. Humberta Araújo é jornalista, natural do Canadá.<br />
Na sua entrevista a Tiago Ribeiro, correspondente do Alentejo Magazine no Canadá, Humberta Araújo fala do seu percurso profissional, cultura e da sua ligação a Portugal.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine (A.M)-</strong> Podes-me falar um pouco das tuas origens e como mesmo nascendo no Canada, mantens um contacto directo com a cultura portuguesa?<br />
<strong>Humberta Araújo(H.A)</strong> &#8211; Quero agradecer-te esta oportunidade e louvar o teu trabalho e interesse pelas raízes portuguesas. Quanto às minhas origens, os meus pais imigraram para a British Columbia em 1960 e um ano mais tarde nasci em Vanderhoof, BC, local que deixei aos 4 anos e para o qual nunca mais voltei. Espero visitar Vanderhoof num futuro próximo. De lá os meus pais vieram para Montreal e dois anos depois regressaram à Ilha de S. Miguel, onde vivi até aos 24 anos, altura em que decidi visitar o Canada. Em Montreal estudei “Communication Studies” na Concórdia e mais tarde Relações Internacionais na Queen&#8217;s University em Kingston. Regressei várias vezes a Portugal onde segui a profissão de jornalista na RTP e em diversos jornais e rádio. Por este motivo sempre continuei ligada à cultura portuguesa, em especial a dos Açores. Interessante o facto da distância ter aguçado o meu interesse pela cultura lusa. Mantenho contactos fortes com os Açores e participo, sempre que possível, em manifestações culturais de raíz portuguesa em Toronto. A literatura e o meu gosto pela escrita ajudam-me a manter os laços culturais.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Como foi crescer no Canada vivendo entre duas culturas? E como e que eles te moldaram na pessoa que te tornas-te?</p>
<p><strong>(H.A) -</strong> A minha experiência, como se pode ver, foi um pouco diferente. Mas sinto-me sempre dividida entre duas culturas, dois modos de viver e sentir. Acho que é um peso e um dilema muito grande para qualquer imigrante. Mas é também um desafio que pode ser aproveitado para o enriquecimento pessoal e profissional.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Que valor tem para ti a cultura portuguesa? E como vês o Portugal de hoje em dia?</p>
<p><strong>(H.A) -</strong> A cultura portuguesa faz parte da minha pessoa. Eu sou cultura portuguesa. Mesmo que fosse meu desejo, não poderia dissociar-me da cultura portuguesa. Porque vivi um pouco cá e lá tenho uma percepção real do Portugal da actualidade, particularmente dos Açores. Sem dúvida é um mundo renovado, nada do que os primeiros imigrantes deixaram quando por razões económico-sociais viram-se obrigados a deixar o país. Portugal é hoje um país moderno, reconhecido internacionalmente; Um Prémio Nobel da Literatura; Inovações científicas e tecnológicas reconhecidas internacionalmente; Políticos que desempenham importantes posições em organismos europeus. Existem ainda muitos problemas em Portugal e a crise internacional não está a ajudar a que os mesmos sejam ultrapassados. Todavia, hoje podemos ter orgulho das nossas raízes.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong>Sendo jornalista, que valores ou ideais te movem no teu trabalho? E o que procuras alcançar em cada projecto que fazes?<br />
<strong><br />
(H.A) -</strong> O jornalismo nasceu como uma forma de desmascarar o que sempre considerei injustiças. No Liceu comecei a escrever uns artigos de opinião com um pseudónimo. A resposta foi fenomenal e vinha de indivíduos, que representavam uma forma de pensar e ser que eu, na altura com os meus 20 anos, jovem, livre e movida por princípios de verdade, justiça e acreditando no direito de cada pessoa a uma informação verdadeira, disputava. A resposta foi tal que me moveu a prosseguir o jornalismo e a lutar pela verdade. Não tem sido fácil. Actualmente, para além da informação, acredito no poder formativo do jornalismo e pretendo facultar informação variada aos meus leitores para que se possam defender e equipar dos mecanismos necessários para a defesa dos seus direitos e cumprimento dos seus deveres. A participação cívica é importante para a comunidade, mas isto só será possível se os imigrantes conhecerem o país em que vivem, as suas leis, e os mecanismos existentes. Este tem sido um objectivo que pretendo atingir no jornalismo que pratico.<br />
Em Toronto e, durante os dois anos que fui responsável pelas questões comunitárias no Jornal Nove Ilhas tentei também e, de uma forma profissional, dar a conhecer a cultura portuguesa aos portugueses nomeadamente aos jovens. Vou iniciar um projecto bilingue “mentorship through culture” para a juventude lusa.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Qual foi o projecto jornalístico que te deu mais prazer fazer e porquê?</p>
<p><strong>(H.A) -</strong> O meu trabalho na televisão portuguesa foi bastante compensador pois deu-me oportunidade de conhecer de perto a realidade de muitas localidades da ilha de S. Miguel. Durante um ano fui produtora e apresentadora de um programa cultural que estendeu este contacto noutras ilhas.<br />
A minha passagem pelo Nove Ilhas foi bastante interessante pois deu-me a oportunidade de conhecer melhor a comunidade portuguesa de Toronto e o jornalismo que aqui se faz. Mas o meu grande projecto aproxima-se e vai para a comunidade jovem lusa.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Fala-me um pouco do teu blog http://cunnusreborn.blogspot.com/, nascido em 2005, parece ser um blog cheio de nostalgia e portugalidade, o que te levou a criá-lo e como é recebido ele na comunidade?</p>
<p><strong>(H.A) </strong>- O meu blog, é um espaço onde sempre que posso dou a conhecer aspectos da comunidade, de mim própria e do meu povo. Mas é um espaço restrito onde só bloguistas podem aceder e claro não é um meio acessível à maioria dos portugueses, ainda pouco conhecedores da internet, com excepção dos jovens, e estes, na sua maioria, acedem a serviços em inglês.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Sei que também és escritora, não só jornalista, fala-nos um pouco do que te moveu a escrever e sobre os principais temas presentes nestes?</p>
<p><strong>(H.A) </strong>- Desde a escola primária que escrevo poesia. Gosto de contos, tenho alguns projectos para um romance. Publiquei dois livros infantis, um deles bilingue e agora estou a trabalhar numa “novel” em inglês para jovens sobre a vida de Cristóvão Colombo quando jovem. Tenho alguns poemas publicados em revistas canadianas. Os temas por vezes são pessoais, por outras vezes reflectem o mundo à minha volta.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Qual e o teu segredo para manteres o teu português tão puro e imaculado? Como fazes para o permanecer assim?<br />
<strong><br />
(H.A) -</strong> Estudei em Portugal e a minha língua mãe acaba por ser o português. Todavia, necessito de manter sempre a leitura em dia, pois com o tempo e a utilização do inglês acabamos por perder algumas regras. Admiro o teu esforço e a tua luta para escreveres em Português. Este é um esforço de louvar da tua parte.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Quais são os teus autores favoritos, portugueses/internacionais? E o que te atrai neles?</p>
<p><strong>(H.A) -</strong> Esta é uma pergunta difícil para responder pois o leque é grande. Mas os meus favoritos são livros sobre a condição feminina no mundo, romances históricos e tudo o que tenha a ver com mistérios da Idade Média. Estou agora a ler muito sobre a altura dos descobrimentos europeus durante os séculos XV e XVI e o Renascimento.<br />
<strong><br />
(A.M)-</strong> Além da função estética, qual achas que devem ser as funções das artes na sua relação com a audiência?</p>
<p><strong>(H.A) -</strong> Deve mover as pessoas, incentivar a reflexão e revolucionar formas de pensar e ver o mundo.</p>
<p><strong>(A.M)-</strong> Para finalizar gostava de te fazer uma pergunta “intemporal”, para ti, e a arte que molda o mundo ou o mundo que molda a arte?</p>
<p><strong>(H.A) </strong>- Esta é uma pergunta com duas faces. Todavia, o ser humano como produtor de arte resulta do mundo em que vive. O criador é movido pelo ambiente que o rodeia e a sua arte retrata o mesmo. Todavia, existem artistas que renovam, que trazem algo nunca visto, que revolucionam a forma de ver e sentir o mundo. Por isso mesmo são eles a moldar o mundo que depois deles nunca mais é o mesmo.</p>
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		<title>XCODE</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 21:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio J.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[ Sonho de 4 anos transforma-se em “Não é Fácil”
 Percorrem o sonho da música há 4 anos. Ainda que com as dificuldades acrescidas que comporta fazer música na província, a força de vontade tem-se sobreposto a todos entraves que o meio musical lhes tem apresentado.
Persistentes e determinados acreditam que este percurso tem de ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong> Sonho de 4 anos transforma-se em “Não é Fácil”</strong></h2>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/20.jpg" alt="" /> Percorrem o sonho da música há 4 anos. Ainda que com as dificuldades acrescidas que comporta fazer música na província, a força de vontade tem-se sobreposto a todos entraves que o meio musical lhes tem apresentado.<br />
Persistentes e determinados acreditam que este percurso tem de ser feito lentamente.<br />
Os XCODE, são naturais de Alcácer do Sal, com uma formação composta por 5 elementos, lançaram no ano passado o seu primeiro trabalho para a rua. O disco intitulado “Não é Fácil” é fruto de um investimento pessoal do grupo que edita este álbum de autor com 10 temas.<br />
No ano em que tudo parecer acontecer ao grupo alia-se a isto a possibilidade das suas músicas chegarem ao pequeno ecrã, respectivamente a produções da TVI e da SIC.</p>
<p align="center"><strong>XCODE lançam “Não é Fácil<br />
<em>“Uma carreira constrói-se ao longo dos anos”</em></strong></p>
<p><strong>Alentejo Magazine</strong> &#8211; “Não é Fácil”, lançado este ano, é o vosso primeiro trabalho, fruto de um trabalho de 4 anos de muita persistência. O que podemos encontrar no interior dos 10 temas quase exclusivamente compostos por vocês?</p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/Capa20120CD.jpg" alt="" /><strong>XCODE </strong>- Este é um álbum de puro pop-rock, cantado em português, que vai desde as músicas mais “pesadas” até às baladas românticas. Tal é um reflexo das influências e dos gostos musicais da união dos cinco elementos que resulta numa sonoridade consensual e não à imagem de cada um individualmente. Este trabalho de pop-rock era já esperado, na medida em que a maioria das músicas existia quase desde o início; algumas destas músicas inicialmente compostas estão inclusivamente reservadas para um segundo trabalho que se espera ser uma produção mais “pesada”, porque a banda apresenta mais tendência para o rock do que para o pop.</p>
<p><strong>AM</strong> &#8211; Tendo em conta o agressivo mercado discográfico, como é que os X-CODE surgem por conta própria, com este trabalho de autor, pago por vocês?</p>
<p><strong>XCODE</strong> &#8211; “Quando não se tem cão, caça-se com gato!” (risos). O que queremos dizer com isto é que como nunca conseguimos os apoios por parte das editoras e produtoras, tivemos que tentar a sorte por nós próprios. O mercado é muito competitivo e hoje em dia ninguém aposta em ninguém, daí termos feito tudo pelas nossas mãos. Ainda hoje continuamos sem editora.</p>
<p><strong>AM</strong> &#8211; Outra questão que com certeza será pertinente é o suporte promocional. Como é que esse trabalho é desenvolvido sem uma grande máquina por trás? Sentem falta desse suporte? Em que aspectos essa necessidade é mais notória?</p>
<p><strong>XCODE</strong> &#8211; Em primeiro lugar, podemos dar graças à excelente Relações Públicas que temos, Rute Canhoto, que tem sido incansável no que toca ao aspecto promocional. O suporte promocional tem sido feito através do envio de notas de imprensa relatando todos os passos dos X-CODE, de ofícios para várias entidades e de CD’s para imprensa e produtoras. Neste meio temos de ser extremamente persistentes e “chatos” para que possamos aparecer. É óbvio que sentimos a falta da “grande máquina promocional”, mas as coisas não deixam de ser feitas, embora a um ritmo menos acelerado. “Devagar se vai ao longe” e nós não nos iludimos com a fama rápida: uma carreira constrói-se ao longo dos anos e não de um dia para o outro. A grande diferença que se nota mais a nível promocional por não termos a “grande máquina” por trás é a falta de “bombardeamento” ao grande público feito através de televisão e rádios.</p>
<p><strong>AM</strong> &#8211; Apesar das dificuldades em sair para a rua, este é um álbum que numa primeira impressão parece bastante positivo (senão vejamos o título dos temas “Esperança” e “Akreditar”), mas também um grito de alerta para a vossa música. Têm esta percepção? São pessoas positivas e esperançosas no futuro?</p>
<p><strong>XCODE</strong> &#8211; Não é questão de sermos pessoas positivas e esperançosas, mas sim uma questão de lutarmos pelo que queremos, acreditamos e mais gostamos de fazer.</p>
<p><strong>AM </strong>- Não se sentem por vezes impotentes para conseguir fazer chegar o trabalho mais longe? Nessa altura, como reagem a esses sentimentos?<br />
<strong><br />
XCODE</strong> &#8211; É mesmo por nos sentirmos impotentes que temos mais força de vontade e motivação para fazermos cada vez mais e melhor. Neste meio não se pode parar e temos de ser cada vez mais exigentes. Parar é a morte do artista! (risos).</p>
<p align="center"><em><strong>“A inclusão de temas nossos em novelas pode ser a oportunidade de ingressarmos numa discográfica”</strong></em></p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/xcode4.jpg" alt="" /><strong>AM </strong>- Tendo em conta esta falta de suporte, como é que o álbum chega aos projectos televisivos e o que esperam sair desta experiência? Poderá ser a oportunidade por que esperavam ao longo destes anos para ingressarem numa discográfica?</p>
<p><strong>XCODE </strong>- No caso específico dos “Morangos Com Açúcar”, da TVI, foi uma amiga nossa que tinha conhecimentos dentro da NBP que fez chegar a nossa música à pessoa indicada, embora a nossa Relações Públicas tivesse já estabelecido contacto directamente com o responsável musical da produtora em questão. No caso das novelas da SIC, o contacto por parte da SIC Música surgiu depois de uma actuação num programa do mesmo canal. Por enquanto, ainda é muito cedo para falar no impacto que as músicas terão nas novelas, até porque só está a passar um tema na TVI e não há mais de um mês. Talvez agora com os concertos de Agosto nos apercebamos de algum feed-back. Sim, pode ser essa a oportunidade de ingressarmos numa discográfica, na medida em que estabelecemos contactos e adquirimos conhecimentos que nos poderão facilitar as coisas daqui para a frente. Na música, como em qualquer outra actividade, os conhecimentos certos são dos factores mais importantes.</p>
<p><strong>AM </strong>- Vocês enveredaram pelo rock cantado em português. No actual panorama musical nacional, em que outros estilos musicais predominam sobre o rock e num mercado tão agressivo, ainda há lugar para o rock cantado em português? Como é que se vêem nesse panorama?<br />
<strong><br />
XCODE</strong> &#8211; Claro que sim, senão vejamos os exemplos dos Xutos e Pontapés, UHF, etc, que sempre tocaram rock e ainda hoje tocam, que têm carreiras consolidadas ao contrário de outras “bandas relâmpago” que tocam o estilo que predomina na actualidade e que vende muito, mas acabam por desaparecer; isto não tirando o mérito aos outros estilos que não o rock, mas contra gostos não há discussões – nós nunca iríamos enveredar por um estilo musical que não o nosso, só para vender mais.</p>
<p><strong>AM</strong> &#8211; Consideram que este é o ano dos X-CODE e de viragem na vossa curta carreira enquanto grupo?</p>
<p><strong>XCODE</strong> &#8211; Não. Nós ainda somos “um bebé que acabou de nascer” e que tem ainda muito para crescer. Uma das coisas que temos que ter sempre em conta é que temos de ter sempre os pés assentes na terra e não vamos entrar em voos muito altos. Talvez só para o ano colhamos alguns frutos do trabalho que está a ser desenvolvido este ano.</p>
<p><strong>AM</strong> &#8211; Tendo em conta as dificuldades já referenciadas, é inevitável que falemos dos hipotéticos condicionalismos que têm que ultrapassar, o primeiro dos quais o geográfico. Este condicionalismo foi factor importante, segundo o vosso ponto de vista, para em 4 anos os X-CODE só agora conseguirem alguma projecção?<br />
Acham que ainda se vive hoje em dia muito o handicap de se fazer música na província, fora do meio musical de Lisboa? Como é que vocês percepcionam isso na vossa experiência enquanto grupo? Que dificuldades acrescidas isso vos traz?</p>
<p><strong>XCODE</strong> &#8211; Sim, porque, quer queiramos quer não, existem sempre muito mais possibilidades para as bandas das grandes cidades do que para as bandas da província. É lá que estão os meios e é lá que se desenrola a maior parte da acção no panorama musical. Embora a música que se faz na província não seja de menor qualidade do que a música feita nos grandes centros, todo o meio envolvente vai reflectir-se no trabalho desenvolvido.</p>
<p align="center"><em><strong>“As expectativas e ambições que temos hoje não são as mesmas que tínhamos no início”</strong></em></p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/Imagem006-2.jpg" alt="" /><strong>AM</strong> &#8211; Em 4 anos muito tempo houve para escreverem e percepcionarem o mundo musical. As expectativas e as ambições que tinham são as mesmas que hoje têm em relação ao meio musical? Que expectativas e ambições são essas?<br />
<strong><br />
XCODE</strong> &#8211; As expectativas e ambições que temos hoje não são as mesmas que tínhamos no início, porque ao longo dos anos vamos amadurecendo e ficando cada vez mais exigentes. Nestes 4 anos de existência não vivemos muito, mas vivemos o suficiente para não criar grandes expectativas em relação ao meio musical, ao contrário do que tínhamos no começo em que eram só sonhos e não tínhamos a noção daquilo por que ainda tínhamos que passar. Já nos desiludimos com algumas coisas, mas daqui para a frente esperamos que corra tudo bem. Somos muito ambiciosos e queremos chegar o mais longe possível.</p>
<p><strong>AM</strong> &#8211; Já existem mais músicas prontas capazes de gravar outro trabalho?<br />
<strong><br />
XCODE</strong> &#8211; Sim, já estamos a trabalhar para o segundo álbum e já existem músicas prontas para serem gravadas. Não podemos parar no processo de composição e arranjos, porque se trata de um procedimento demorado.</p>
<p><strong>AM</strong> &#8211; Quais são as vossas metas musicais?</p>
<p><strong>XCODE</strong> &#8211; Nós não estipulámos metas, ou pelo menos por enquanto: vamos até onde o público nos levar! Até porque isto começou quase como que por uma brincadeira em que só pensávamos em tocar nos ensaios as músicas que nos davam gozo tocar e ficávamos todos contentes quando as coisas saíam bem e agora, de repente, vemo-nos com alguma responsabilidade. Mas, como já dissemos, quanto mais longe formos, melhor.</p>
<p align="center"><strong>Quatro anos de XCODE</strong></p>
<p align="center">
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/03.jpg" alt="" />Decorria o ano de 1997, quando três jovens de Alcácer do Sal decidiram juntar-se para tocar e fazer música. Eram eles: Jaime Romano Batista (voz e guitarra), Nuno Batista (bateria) e Cláudio Oliveira (baixo). Cláudio mal sabia tocar viola quando Jaime lhe perguntou se queria formar uma banda, ao que este lhe respondeu que sim de imediato. Jaime ensinou-o a tocar e ao fim de três meses começaram a ensaiar. Ensaiavam numa casa velha, a cair aos bocados e dos seus instrumentos e amplificadores, não menos velhos, começaram a sair os primeiros acordes desta banda alcacerense.<br />
Mais tarde requisitaram um guitarrista (Álvaro Rêgo) para fazer parte da banda e ao fim de um ano deram o seu primeiro concerto com o nome de “Neurose”, primeiro nome adoptado pela banda. Atrás deste vieram mais alguns, mas esta formação estava condenada ao fracasso e passado mais um ano a banda acabara.<br />
Descontentes com este desfecho e porque era um sonho comum, voltaram a juntar-se em 2001, desta vez sem Álvaro mas com a entrada de um novo elemento: Gonçalo Oliveira (guitarra acústica e voz). Assim nasceram os “Code”, visto que eram dois irmãos de raça branca mais dois irmãos de raça negra, fazendo alusão a um código de barras. Só com a entrada do 5º elemento em 2003, Luís Primo (guitarra), é que mudam o nome para “X-CODE”. Actualmente a banda tem a seguinte constituição: Jaime Romano Batista – voz e guitarra, Nuno Batista – bateria, Cláudio Oliveira – baixo, Gonçalo Oliveira – guitarra acústica e Luís Primo – guitarra.</p>
<p><object width="425" height="355" type="application/x-shockwave-flash"></object><object width="425" height="355" data="http://www.youtube.com/v/ocrUsrb6pws&amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ocrUsrb6pws&amp;rel=1" /><param name="wmode" value="transparent" /></object></p>
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		<title>Henrique Padeiro</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 21:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio J.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[ Contos de uma Vida
Henrique Padeiro
Entrevista de Tiago Ribeiro 
“Quem conta um conto&#8230;” e, mas quem fala sobre si nem sempre consegue fugir de si mesmo, verdade seja dita. Recentemente tive a possibilidade de entrevistar através da net um jovem escritor, Henrique Padeiro, vencedor de vários prémios literários, tendo publicado recentemente o livro de contos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong> Contos de uma Vida</strong></h2>
<h2>Henrique Padeiro</h2>
<h3>Entrevista de <strong>Tiago Ribeiro </strong></h3>
<p>“Quem conta um conto&#8230;” e, mas quem fala sobre si nem sempre consegue fugir de si mesmo, verdade seja dita. Recentemente tive a possibilidade de entrevistar através da net um jovem escritor, Henrique Padeiro, vencedor de vários prémios literários, tendo publicado recentemente o livro de contos “Guardião da Noite”.</p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/w4Utc1314482-02.jpg" alt="" /><strong>Alentejo Magazine (A.M)</strong>- Que valor tem para ti a Cultura? Não só a dos livros, mas também as tradições, os contos populares entre outros?</p>
<p><strong>Henrique Padeiro (H.P)</strong> &#8211; A cultura é a base de tudo na vida, é ela que nos guia, que nos diz quem somos e de onde vimos. Grande parte da cultura é transmitida verbalmente mas os livros trazem-nos a realidade de épocas distantes, quem nunca leu &#8220;Os Maias&#8221; e imaginou o Eça a beber vermute, quem nunca viajou nos poemas do Pessoa ou quem nunca se escondeu nas sombras das letras de Camões e se perdeu&#8230;? Os contos populares trazem-nos outra vertente, a do povo, das estórias das mezinhas&#8230; Sabes que quando vou a Fnac&#8217;s etc&#8230; e apresento o livro há sempre alguém que me pergunta &#8211; são contos para crianças? E eu respondo &#8211; não, é para adultos! E eles muito corados respondem &#8211; há então mete sexo&#8230;! E eu rio-me que nem um perdido&#8230; é engraçado ver a associação que ainda se faz aos contos, deve ser influência daqueles livros pequenos que se viam há uns anos que tinham uma rapariga em soutien na capa&#8230;</p>
<p><strong>A.M &#8211; </strong> Como vez a relação entre os portugueses e os livros no Portugal de hoje em dia?<br />
Tal como o fast food também há um fast read em Portugal, se leres um dos muitos livros que por ai há, não sentes um desafio na leitura, por alguma razão se lêem nos comboios, aquilo entra e sai e não fica nada&#8230; um livro deve ser um desafio. Os portugueses gostam de ler e de escrever, mas a cultura está-se a perder e o fútil vende-se&#8230; muito.</p>
<p><strong>A.M &#8211; </strong>Para ti quais devem ser as funções de um livro, independentemente da classe ou idade?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Um livro tem de te fazer sonhar e pensar, tem de te ensinar, tem de ter escondida uma mensagem, é essa a graça de ler. Uma das maiores criticas que me fazem é que depois de lerem um conto, voltam a ler e reler e de cada vez que lêem têm uma outra percepção das palavras&#8230; a piada de ler é mesmo essa é o leitor se interessar e se envolver e querem mais&#8230;</p>
<p><strong>A.M -</strong> Achas que uma sociedade afastada dos livros e uma sociedade ignorante e pouco auto analítica? E de que forma?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Obviamente que sim, os livros ou a escrita nas suas mais diversas formas é o que origina a percepção que o povo tem de si próprio, reparem que até as Revistas à Portuguesa, tem por base textos, o Teatro é uma paródia bem observada à sociedade, tudo gira à volta da escrita&#8230; Uma sociedade conhecedora de si própria, das suas virtudes e fraquezas é uma sociedade melhor e mais unida&#8230;</p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/guardiodanoite.jpg" alt="" width="300" height="405" /><strong>A.M -</strong> Mudando de direcção, mas não de tema, o que te levou ao mundo dos livros?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Na escola, no secundário, comecei a concorrer a concursos de Conto, do jornal da escola, em todos ganhei e em alguns fiquei em ex-aequo comigo próprio (enviava mais de um texto) a partir dai, tudo se desenrolou para concursos regionais e nacionais, que fui ganhando. É engraçado porque conheces muita gente porreira e viajas e ainda ganhas uns trocos.<br />
Sabes que a escrita é um modo de fuga, é um descarregar de energias e frustrações e alegrias. Quem nunca quis amar alguém impossível ou criar, conceber a vida&#8230; quando escrevo sou o Deus das minhas palavras&#8230; há profissão melhor?</p>
<p><strong>A.M -</strong> Quem mais te influenciou na escrita a nível pessoal?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Eu fui muito influenciado pelos clássicos, tanto portugueses como estrangeiros. A escrita do Eça é magnífica, a do Pessoa fenomenal, naquele tempo não havia o Office, nem cd&#8217;s ou pen-disk&#8230; já viram a capacidade que eles tinham de ter para organizar e escrever um romance&#8230; pois é&#8230;. William Blake foi um mágico, conheceu os céus e os infernos como ninguém e nunca saiu de Londres (a propósito, se forem a Londres façam o circuito do Jack o Estripador)&#8230;. Quem mais me influenciou, pessoalmente, foi o meu avô e foi de muitas formas, foi ele que me ensinou muitas coisas que lhe ensinaram a ele, foi ele que foi a primeira pessoa desde que me lembro que conhecia e que morreu, o primeiro homem (e único) a quem pensei, eu Amo-te. Foi nesse momento em que olhei para ele e pensei na morte e na vida que pensei, um dia vou morrer.</p>
<p><strong>A.M -</strong> Quais são os teus autores de referencia? e porque os tomas como tal?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Não me quero repetir, mas o Eça, o Pessoa, o Camilo, o Camões&#8230;</p>
<p><strong>A.M -</strong> Como defines o que escreves? Tanto a nível de conteúdo como de estilo?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Eu gosto de pensar que sou um escritor surrealista, escrevi um livro de contos que tem um fio condutor que não existe, que subsiste, como a vida. Sabes que o Conto permite-te explodir de sentimentos e pôr tudo o que sentes, como sentes, no papel, a escrita fica quase na esfera da prosa poética. A morte está sempre presente, umas vezes óbvia, outras dissimuladas, quase não dás por ela. Quando estiveres longe do livro e a pensar nele, vais descobrir novos pensamentos, novos mundos e novas vidas&#8230; Estou a ultimar um romance e a experiência já é outra, a escrita é mais pensada e menos explosiva. Costumo comparar o Conto aquelas paixões de relance em que vês uma rapariga pela primeira vez, olhas para ela e naquele instante o mundo pára e ela olha também para ti e mais ninguém existe e apaixonam-se os dois e sorriem comprometidos e depois ela desaparece e nunca mais a vês e ficas a pensar&#8230;</p>
<p><strong>A.M -</strong> Achas que os livros/contos tem um &#8220;fio condutor&#8221; ou algo que os liga entre si de alguma forma? O quê?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Pessoalmente acho que não, as pessoas tendem a explicar tudo a dissecar as palavras e a ordem das frases. Por que não aproveitar para ler e desfrutar. Cada texto é um texto, podem-se interligar entre si e fazer um livro de contos por haver alguma semelhança entre os temas, mas o fio condutor, o verdadeiro fio condutor é o leitor que o cria&#8230;</p>
<p><strong>A.M -</strong> Para finalizar, para aqueles que tem o desejo de escrever e não sabem por onde começar ou como começar, que palavras tens para eles?</p>
<p><strong>H.P -</strong> Comecem a concorrer a concursos, não se assustem se não ganharem, não percam a esperança&#8230; Leiam muito (autores Portugueses) principalmente.<br />
Como em tudo na vida, não se pode desistir, é quase como ver um jogo de futebol, quando o jogador falha um golo há sempre o Português que diz &#8211; eu chutava, o outro que diz &#8211; eu fazia falta! e por ai além&#8230; mas quem está lá é que sabe e naquele segundo tem de tomar uma decisão e para tudo na vida é assim há sempre quem goste e quem não goste, mas perseguires o sonho&#8230; estás a meio caminho&#8230;</p>
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		<title>Álvaro Santos Pereira</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 21:54:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio J.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Vivemos num mundo em que o capital é rei e senhor, e foi devido a este que muito se tem sofrido nos dias de hoje e muito se sofrerá até o capital ter “coração”, se alguma vez o terá. Recentemente entrevistei Álvaro Santos Pereira, nesta descontraída conversa falou se de tudo, de livros a economia.
Esta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/BANNERALVARO.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Vivemos num mundo em que o capital é rei e senhor, e foi devido a este que muito se tem sofrido nos dias de hoje e muito se sofrerá até o capital ter “coração”, se alguma vez o terá. Recentemente entrevistei Álvaro Santos Pereira, nesta descontraída conversa falou se de tudo, de livros a economia.<br />
Esta é sem duvida uma das mais importantes entrevistas que fiz até agora, não só pela pessoa que entrevisto, mas também pelo que ele me disse e reflectiu sobre Portugal nas suas complexidades.<br />
</strong><br />
<strong><br />
Alentejo Magazine-  Fala-me um pouco das tuas origens coimbrãs e do que te levou a escolher o ramo da Economia a nível profissional.</strong></p>
<p><strong>Álvaro Santos Pereira (A.S.P) -</strong> Eu nasci em Viseu, mas fui viver para Coimbra aos 16 anos. Coimbra ainda é a cidade onde moro quando estou em Portugal.<br />
Decidi escolher a Economia porque me interesso sobre as questões do desenvolvimento económico, tais como: porque é que alguns países são mais ricos que outros? Ou, porque é que a pobreza persiste em tantas partes do mundo? É por me interessar por estes problemas que me dediquei ao estudo e ensino da Economia.</p>
<p><strong>A.M- Qual achas que deve ser a relação entre o cidadão normal e os seus economistas e banqueiros? Porque?</strong></p>
<p><strong>A.S.P- </strong>Acho que os economistas devem tentar explicar as questões económicas para os que não são especialistas. Porquê? Porque as questões económicas afectam a vida de todos e, por isso, todos nós beneficiamos se tivermos alguns conhecimentos económicos básicos. Os economistas também devem tentar ajudar (e criticar) as autoridades económicas a tentar formular as políticas mais adequadas para um país ou região.</p>
<p><strong>A.M- O que te levou a escrever o 3 vezes editado “Os mitos da economia portuguesa”? e como foi a sua recepção?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> O “Mitos da economia portuguesa” surgiu do convite do editor da Guerra e Paz para escrever um livro sobre a economia nacional. Quando me encontrei com o editor da Guerra e Paz para acertar a publicação de um romance (o “Diário de um Deus Criacionista”), surgiu a ideia para escrever um livro de economia. Como eu escrevia artigos de opinião para os jornais, tal opção fazia todo o sentido.</p>
<p><strong>A.M- A palavra “ proteccionismo” aparece muitas vezes no teu livro “mitos da economia portuguesa”, porque achas que nos portugueses somos tão conservadores/ proteccionistas?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Acho que temos um Estado demasiado paternalista e protector, uma tendência que se deve provavelmente à ditadura do Estado Novo. Salazar pensava que o Estado (ou seja, ele) tinha uma função essencial para guiar os agentes económicos no seu dia-a-dia e que tinha que nos proteger da concorrência interna e externa. A ideologia que se seguiu à Revolução de Abril acentuou esta tendência, de modo que ainda hoje persiste a ideia que o Estado está sempre ao nosso lado para nos proteger de qualquer eventualidade. Ora, este paternalismo estatal excessivo é verdadeiramente contraproducente. O Estado português faz lembrar aqueles pais que mimam e tentam proteger os seus filhos em excesso, não os libertando do cordão umbilical quando é preciso. É isso que ainda se passa hoje com o nosso Estado. Esta é uma das coisas que é urgente mudar.</p>
<p><strong>A.M- O livro “Os mitos da economia portuguesa” parece-me ir para além da economia estendendo-se aos problemas e mitos da nossa própria cultura portuguesa, achas que existe alguma luz ao fundo do túnel neste “breu” económico-cultural?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Sim, de facto alguns dos problemas organizativos que apresentamos têm origens culturais e sociais. Penso que progredimos imenso nas últimas décadas e que começa a haver alguma luz ao fundo do túnel nalgumas das nossas deficiências estruturais. Porém, ainda há muito a fazer, principalmente no que diz respeito ao nosso sector educativo, à Justiça, bem como em relação a muitas das nossas práticas organizativas.</p>
<p><strong>A.M- Parece-me haver em ti algo de “desmistificador” na tua escrita, que outras razões te levam e levaram à escrita?</strong></p>
<p><strong>A.S.P- </strong>A nível da Economia, a minha intenção principal é explicar de uma forma informal as características da economia nacional, bem como contextualizar claramente os nossos problemas económicos. A ideia de desmistificar alguns conceitos existentes é exactamente demonstrar que muitas “verdades” sobre a nossa economia não o são, e que há muitos preconceitos que não têm fundamento.</p>
<p><strong>A.M- Há uma questão por mais que pense nunca consegui ver resolvida ou conciliada que é e eu acho que me podes ajudar nela: pode um economista ser também um humanista? E como?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Claro que sim. Aliás, deve. Como já mencionei, a questão económica fundamental (e que deu origem à própria ciência económica) é saber porque é que algumas nações são mais ricas do que outras, e porque é  que a pobreza persiste em mais de dois terços da população mundial. Ora, como é que é possível falar sobre estas questões se não se for humanista? Há alguma questão mais humanista do que esta?</p>
<p><strong>A.M- Recuando um pouco no tempo e no espaço, quando sentiste a vontade de escrever e o que te levou a esta arte?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Sempre gostei muito de escrever. Desde muito novo que sempre tive a ideia de escrever. Para mim escrever é quase como respirar. Não consigo imaginar a vida sem escrever. Se fosse forçado a deixar a escrita, certamente que seria capaz de sobreviver. Mas não seria a mesma pessoa.</p>
<p><strong>A.M- Que autores e livros te marcaram/moldaram? </strong></p>
<p><strong>A.S.P- </strong>Na literatura, claramente o Gabriel Garcia Marquez e o Salman Rushie, entre muitos outros.<br />
Na Economia, o William Easterly escreveu o melhor livro sobre de desenvolvimento económico que conheço (“The Ellusive Quest for Growth) e o meu antigo orientador, Richard Lipsey, foi e é uma referência pessoal.</p>
<p><strong>A.M-Voltando a economia, que América será esta, depois da crise do Subprime e da crise do credito, tanto a nível nacional como internacional?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Que América e que mundo, pois a crise está cada vez mais globalizada. As coisas claramente vão piorar antes de melhorar, tanto na América como na Europa. Esta é a maior recessão das últimas décadas e os ajustamentos irão continuar durante algum tempo. O principal efeito será um aumento do desemprego devido à desaceleração da actividade económica. O importante é aproveitar a crise para reformar e alterar o que está mal, tanto ao nível da regulamentação dos mercados financeiros, como do fundamentalismo do défice orçamental registado por Bruxelas.</p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/mitos.jpg" alt="" /><strong>A.M- De que forma achas que a nossa maneira de ser e pensar “aportuguesada” molda as nossas escolhas económico-sociais?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Molda principalmente em termos das nossas práticas organizativas e sociais. As nossas tendências para chegarmos atrasados aos nossos compromissos, para fazermos tudo em cima do joelho e para nos desresponsabilizarmos pessoalmente quando as coisas correm mal, são verdadeiramente penalizadoras da eficiência económica e da própria produtividade. Se queremos melhorar a competitividade da economia nacional, temos que melhorar as nossas práticas organizativas.</p>
<p><strong>A.M-Sei que ensinas na SFU (Simon Fraser University) e na UBC (Universidade da Colômbia Britânica), fala-me destas e dos projectos e actividades que estas desenvolvem. </strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Sim, ensino macroeconomia e desenvolvimento económico nestas universidades. O grande atractivo de leccionar no estrangeiro é ao nível do apoio à investigação, que continua a ser mais elevado do que em Portugal. O apoio é financeiro, mas também em termos da redução da carga horária, que possibilita uma maior dedicação às actividades de investigação.</p>
<p><strong>A.M- Como e escrever em português fora de Portugal? Escreve-se para lembrar o que deixamos ou por outros motivos?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Para mim, escrever literatura tem que ser na nossa língua mãe, pois a literatura vem de dentro de nós, da tal “alma” interior. Há escritores excelentes que o fazem noutras línguas (tais como Ha Jin, que já ganhou vários prémios literários americanos, apesar da sua língua mãe ser o chinês), mas eu não consigo. Quando escrevo romances com temas portugueses (implícita ou explicitamente), faço-o porque é uma realidade que conheço bem. Ou seja, faço-o para relatar experiências pessoais ou de pessoas que conheço.<br />
Quando escrevo sobre a economia portuguesa, faço-o porque tenho interesse na matéria e porque é a minha pequena contribuição para o meu país.</p>
<p><strong>A.M- Qual achas deve ser a “função” tanto do escritor como a do leitor?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> O escritor deve escrever aquilo que lhe apetece. Não há regra para a escrita. Pode ser algo inventado ou sobre as nossas próprias experiências. Tudo depende de cada um(a) ou do livro em questão. O leitor deve ler aquilo que gosta. E deve ser crítico, pois a crítica é fundamental para o processo criativo.</p>
<p><strong>A.M- Voltando a Portugal, porque achas que existe uma certa “barreira linguística”, por assim dizer, entre os economistas _ sem esquecer outras classes _ e o cidadão comum?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Acho que sim. E a culpa é nossa, dos economistas. Se alguém abrir uma revista da especialidade irá pensar que o que ali se escreve é tudo menos sobre pessoas e países reais. Os nossos modelos são frequentemente demasiado abstractos e teóricos, sem grande aplicação prática. As coisas estão a melhorar, pois nos últimos anos não só os modelos têm-se tornado mais realistas, mas também há cada vez mais economistas dispostos a explicar a linguagem económica para o público em geral. Esperemos que a tendência se mantenha, de forma a acabar essa mesma barreira linguística entre os economistas e o público em geral, pois ninguém ganha com a falta de diálogo e compreensão.</p>
<p><strong>A.M- Para finalizar, que novas “desmistificações” tens planeadas para o futuro?</strong></p>
<p><strong>A.S.P-</strong> Em Janeiro vou editar um novo livro sobre a economia portuguesa, que tem por título “O Medo do Insucesso Nacional” e que tenta perceber as razões do mal-estar actual. O livro também apresenta soluções para a crise. Agora que esse livro já está acabado, regressei à escrita de um romance, que pretendo acabar no próximo ano.</p>
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		<title>Terry Costa</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 21:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio J.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Terry Costa (http://mirateca.lldt.net/default.aspx) é alguém que muito admiro e que tive a oportunidade de entrevistar. São da sua criação muitos dos eventos culturais ou de cariz social que se fazem em Vancouver tanto na comunidade portuguesa como fora dela.
Em eventos, sejam eles quais forem, Terry, o coração do evento, é alguém com quem se deve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/bannerterrycosta.jpg" alt="" /></h2>
<p>Terry Costa (http://mirateca.lldt.net/default.aspx) é alguém que muito admiro e que tive a oportunidade de entrevistar. São da sua criação muitos dos eventos culturais ou de cariz social que se fazem em Vancouver tanto na comunidade portuguesa como fora dela.<br />
Em eventos, sejam eles quais forem, Terry, o coração do evento, é alguém com quem se deve falar numa visita a Vancouver.</p>
<p>Filho dos Açorianos Telma e José Nunes da Costa, Terry Costa nasceu em Oakville, Canada mas cresceu e viveu a sua infância e adolescência na ilha do Pico. Em 1989 voltou para o Canadá, onde tinha nascido. Estudou inglês, licenciou-se pela Universidade de Toronto (Teatro &amp; Cinema), e frequentou o colégio Sheridan onde recebeu aulas de teatro profissional. O seu nome é favorito em círculos de artes+cultura incluindo o teatro experimental e alternativo em muitos cantos da América do Norte. A sua última peça, um espectáculo sólido chamado “69 Momentos da Vida” passou em digressão em mais de 20 cidades no Canada e nos Estados Unidos da América. Correntemente ele está a construir uma nova peça chamada “9 Sonhos” que se relaciona com as ilhas dos Açores.<br />
O teatro é apenas parte da sua vida, pois a tempo inteiro ele é conhecido como o “Artista de Artistas”. É chefe da companhia Mirateca Arts Management onde trabalha na promoção de vários artistas de musica e danca, incluindo alguns portugueses, assim como no cinema, televisão e teatro.<br />
Terry Costa também trabalha como voluntariado na comunidade Portuguesa-Canadiana. Exemplos inclui Chefe da Redacção do jornal Lusitânia, mensal que celebra o mundo português, fundou o grupo JOVENSvancouver e o grupo Arco Iris BC e representa o Congresso Nacional Luso-Canadiano como Vice-Presidente da área Oeste do Canada. Terry Costa mora em Vancouver e pode encontrar-se na internet através do site www.mirateca.com.</p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/1435521734_l.jpg" alt="" width="330" height="273" /><strong>Alentejo Magazine &#8211; Que actividades culturais promoves, além das dedicadas a comunidade portuguesa?</strong></p>
<p><strong> Terry Costa -</strong> Teatro, Gay Top Model, Go Go Boy Star, bandas e musica e muito mais&#8230;</p>
<p><strong>Alentejo Magazine -O que são os “Luso Artists”? E de que forma promovem estes a Cultura portuguesa?</strong></p>
<p><strong> Terry Costa &#8211; </strong>Luso artists são todos aqueles que se associam a Portugal, descendentes de portugueses e de países da linga portuguesa. Qualquer um basta mandar o link para o site deles e vai ser adicionado no www.lusoartists.com</p>
<p><strong>Alentejo Magazine &#8211; Voltando um pouco as “raízes”, como vez o Portugal de hoje em dia, tanto a nível social como cultural?</strong></p>
<p><strong> Terry Costa &#8211; </strong>Portugal tem muita riqueza que os próprios portugueses não vêem, ou não estimam. Para mim Portugal e o país de ‘fantasia” enquanto o Canada é o pais de realidade. Adoro visitar; quero trabalhar mais no país em termos culturais e em termos sociais. Lisboa é um dos locais mais abertos no mundo.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine -A revista “Lusitânia” sempre me fascinou pela forma “fresca” e alegre como apresenta a cultura portuguesa, que recepção tem esta publicação na nossa comunidade?</strong></p>
<p><strong> Terry Costa &#8211; </strong>Lusitânia é sempre bem-vindo às casas de portugueses canadianos e canadianos não portugueses; a nossa maior distribuição é através das bibliotecas públicas e temos centenas de inscrições também. Esta publicação faz com que a malta mais jovem participe, o que acho que já é um ponto de sucesso muito grande.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine -E os “JovensVancouver”, quem são eles e o que fazem?</strong></p>
<p><strong>Terry Costa &#8211; </strong>www.jovensvancouver.com grupo aberto a todos os adultos mais jovens, sejam estudantes ou aqueles que estão começando as suas vidas profissionais.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine &#8211; </strong><strong>E em relação aos livros, que último livro escrito em português leste? E o que te interessou nele?</strong></p>
<p><strong> Terry Costa &#8211; </strong>O último livro que li em português foi ‘Mulheres” sobre as 30 mulheres mais interessantes no pais neste momento; gostei de ler as biografias destas mulheres e ao mesmo tempo ver o que as jovens jornalistas pensam dos nossos ídolos femininos.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine &#8211; Deixa-me fazer-te uma pergunta tipo Stephen Colbert, Saramago é um excelente escritor português ou o melhor escritor português?<br />
</strong><br />
<strong> Terry Costa &#8211; </strong>Saramago é um pouco&#8230; Não sei a palavra de que estou a procurar, mas num senso&#8230;mítico. Ele é como se não existisse mas está sempre connosco. A sua obra, vai para além do que a pessoa consegue no mundo&#8230;<br />
E agora também estou alegre que temos participação no zine Lusitânia do nosso Saramago, um excelente escritor português.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine -O que é a Mirateca Artist Management e o que promove?<br />
</strong><br />
<strong> Terry Costa &#8211; </strong>Mirateca e a minha companhia de trabalho profissional em que eu trabalho como realizador e produtor de artistas e eventos. www.mirateca.com</p>
<p><strong>Alentejo Magazine &#8211; Para finalizar, como é viver entre duas culturas?</strong></p>
<p><strong> Terry Costa &#8211; </strong>O ser luso-canadiano é um pouco como não se sentir em casa&#8230; em qualquer lugar. Claro que pessoalmente, eu me sinto em casa em qualquer lugar que sou acolhido, ainda mais quando há outro português. Mas aquela ideia da saudade e o de ser português vai estar sempre connosco; não interessa o lugar de residência. Quando estou em Portugal sinto a sensação de que tenho que voltar a casa, o Canada; quando estou no Canada sinto aquele buraquinho vazio, que é o meu Portugal.</p>
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		<title>Lúcia Azevedo</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Jan 2008 21:55:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Claudio J.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Da música para a dança, recentemente entrevistei a “Rainha do Samba” ( http://www.queenofsamba.com/), de nome próprio Lúcia Azevedo, com breves perguntas, vi a pessoa fascinante e complexa que ela é. Todos somos complexos, artistas incluídos, mas este facto em nada diminui a paixão e o espírito com que ela ama a arte que ensina.
Bem vindos à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/bannerqueen.jpg" alt="" /></p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/Luciahomepageh.jpg" alt="" />Da música para a dança, recentemente entrevistei a “Rainha do Samba” ( http://www.queenofsamba.com/), de nome próprio Lúcia Azevedo, com breves perguntas, vi a pessoa fascinante e complexa que ela é. Todos somos complexos, artistas incluídos, mas este facto em nada diminui a paixão e o espírito com que ela ama a arte que ensina.<br />
Bem vindos à Alma brasileira, com todas as suas subtilezas, bem vindos à arte do Samba&#8230;.</p>
<p><strong>Alentejo Magazine (A.M)-</strong> Fala-me um pouco das tuas origens e de como cresceste.</p>
<p><strong>Lúcia Azevedo -</strong> Nasci no Sertão  no Ceara. Morei no Sertão até os meus 12 anos e fui embora para uma cidadezinha chamada  Sobral por 3 anos e depois para o Rio de  Janeiro. No Sertão foi uma vida  muito difícil pois  passei muita fome e frio, havia muita pobreza.</p>
<p><strong>A.M-</strong> O que é o Samba para uma brasileira? E que influencia tem este na sociedade e cultura do Brasil?</p>
<p><strong>Lúcia Azevedo -</strong> Depende da brasileira, no meu caso eu vejo o samba como um património nacional rico e valioso para a nossa cultura em geral, o samba também é cultura com raízes importantes e orgulho de uma dança tradicional diferente e rica.</p>
<p><strong> A.M-</strong> E a influencia para a sociedade e a cultura do Brasil?</p>
<p><strong>Lúcia Azevedo -</strong> Influência, as pessoas de má fé a tiram  vantagens no exterior levando a  nossa cultura de  forma mal interpretada, como a  nudez  e a sensualidade que não tem nada  haver  com a dança tradicional  “SAMBA”.<br />
O próprio brasileiro explora a nossa dança com a nudez, depravação e mais&#8230;  no carnaval.<br />
A cultura no Brasil não é tão valorizada, principalmente pela nova geração.</p>
<p><strong>A.M-</strong> Quando e como, se posso perguntar, descobriste o chamamento do Samba?</p>
<p><strong>Lúcia Azevedo -</strong> Aos meus 15 anos descobri o verdadeiro valor  e paixão pela dança e pelas fantasias de carnaval, pois fico alucinada com a  dança e o brilho.<br />
Pois o samba é alegria, charme, elegância, simpatia, postura, sensualidade e felicidade!!!</p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/600__MG_0178.jpg" alt="" /><strong>A.M-</strong> Como se ensina Samba em terras canadianas? E como reagem as pessoas ao feitiço do samba?</p>
<p><strong>Lúcia Azevedo -</strong> Ensinar para mim não tem mistério e nem é um bicho-de-sete-cabeças.<br />
Na verdade para ensinar  tem que se ter dom, já  nascer com sabedoria de saber conhecer as dificuldades de cada pessoa determinando as necessidades de cada um dentro da  dança! Cada pessoa tem a coordenação motora diferente da outra.<br />
Eu tenho várias técnicas diferentes para determinada dificuldade de cada pessoa.<br />
Temos  que ter certeza do que se faz, com segurança e conhecimentos  gerais da  dança,   com experiências,  de modo a que não seja  só algo que você só saiba para você mesma.<br />
Na verdade não ensino apenas canadenses, ensino e já ensinei para varias  nacionalidades e inclusive vários  brasileiros que dizem que sabem sambar. O samba envolve uma coordenação motora de todo o corpo ao mesmo tempo, se não seguir correctamente as direcções de um samba carioca ele fica estilizado, o melhor diferente!<br />
Se ensinar a dança  como uma dança  tradicional e autêntica, com a elegância, simpatia, charme, alegria e postura e sensual, ela também se  torna um exercício muito bom para o corpo e a mente.<br />
Então todos ficam fascinados e apaixonados pela dança e valorizam-na mais que o próprio brasileiro.</p>
<p><strong>A.M-</strong> Sei que fizeste de Carmen Miranda num documentário sobre essa grande e sublime artista, como te sentiste nesse papel?<br />
<strong><br />
Lúcia Azevedo -</strong> Eu admiro muito a CARMEN MIRANDA pela valentia, pela  beleza, competência, talento, coragem e criatividade&#8230; que ela teve de levar o samba para a  América&#8230; marcando o nosso samba mundialmente.<br />
Acho que a figura e a memória de Carmen M. nunca pode  morrer e  desaparecer, pois ela foi, é e será um orgulho brasileiro e Português que devemos  conservar para sempre.<br />
A Carmen M. é como o  SAMBA não pode  morre!</p>
<p><strong>A.M-</strong> Tenho também conhecimento que participastes múltiplas vezes no carnaval do Rio, podes partilhar um pouco de como é estar em tão grande evento?</p>
<p><strong>Lúcia Azevedo -</strong> Participar  do carnaval  é uma forma especial e privilegiada de poder compartilhar as minhas alegrias e paixão de estar na avenida com várias feras do samba  apaixonado pela cultura e a dança como eu!</p>
<p><img src="http://i21.photobucket.com/albums/b271/bestphoto/queenofsamba.jpg" alt="" /><strong>A.M- </strong>Outra coisa que acho interessante no Samba são as roupas que os sambistas vestem, visto eu ser ignorante na matéria, gostava de te perguntar se esses fatos têm alguma simbologia ou que historia tem?<br />
<strong><br />
Lúcia Azevedo -</strong> As fantasias não têm nada  haver com a dança “SAMBA”. O samba é a dança  tradicional brasileira.<br />
O carnaval é um festival com as mais  belas  e ricas  fantasias, e a melhor  forma de engrandecer enriquecer o festival foi introduzir o samba que há um ano atrás foi decretado um património nacional Brasileiro com as  fantasias.<br />
As fantasias  ficam ao critério, preferência e gosto de cada pessoa em  tamanho ou até sem nada  no corpo, dependendo do enredo e alegoria do carnavalesco da escola de  samba.</p>
<p><strong>A.M-</strong> Sendo brasileira imigrante, como é viver no Canada para quem desconhece a experiência?<br />
<strong><br />
Lúcia Azevedo -</strong> É lutar contra a  correnteza! Não é fácil, pois as dificuldades da língua e de trabalho, a falta de  apoio da  comunidade brasileira dificulta o desenvolvimento de um trabalho cultural.<br />
Muitas vezes as dificuldades e a falta de experiência faz com que as pessoas usem o SAMBA como sobrevivência, ensinam da qualquer forma e sem conhecimentos&#8230; e faz um trabalho de  qualquer  jeito usando ate como forma de  prostituição disfarçada, o que  mancha o Samba.</p>
<p><strong>A.M- </strong>E voltando mais uma vez as origens, como está o Brasil hoje em dia? E tens saudades do Brasil estando longe?<br />
<strong><br />
Lúcia Azevedo -</strong> O Brasil estar muito mudado, as pessoas e a nova geração estão muito voltados para o modelo “americanizado” em geral, pois é uma  pena que me faz até  recordar   de um ditado no próprio Brasil.<br />
NO BRASIL NADA  SE  CRIA MAS SÓ SE COPIA!<br />
Na forma de organização em geral continua desorganizado e sem respeito pelas  leis em geral.<br />
Se tenho saudades do Brasil?<br />
Na verdade não! Só do Samba, da música e da praia.</p>
<p><strong>A.M-</strong> E  qual e o segredo ou a técnica para se fazer uma boa sambista? O que é preciso?<br />
<strong><br />
Lúcia Azevedo -</strong> Já nascer com o SAMBA dentro de você!  Se já não nasce com ele fica robótico e mecânico.</p>
<p><strong>A.M-</strong> Terminando, que novos projectos tens planeados para o futuro na tua, já longa e fascinante, carreira de sambista?<br />
<strong><br />
Lúcia Azevedo -</strong> Não tenho projectos porque não tenho ambição mais  sim competência. As coisas  acontecem momentaneamente o melhor  de repente! Assim foi tudo até  hoje.<br />
Assim também é com as minhas  fantasias. Penso e faço de um dia para o outro .</p>
<p>Queen of Samba<br />
http://www.queenofsamba.com/</p>
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